O termo bursite do quadril é usado para se referir a presença de um processo inflamatório em uma ou mais bursas situadas em torno da arti...

Fisioterapia na Bursite de Quadril



O termo bursite do quadril é usado para se referir a presença de um processo inflamatório em uma ou mais bursas situadas em torno da articulação do quadril.

Nada mais é que uma inflamação da bursa trocantérica. Esse processo inflamatório pode acontecer por diversos fatores. Os mais comuns são:

  • Uso excessivo (overuse)
  • Lesão por queda
  • Lesão na coluna ou no quadril
  • Após procedimento cirúrgico
  • Disfunção óssea com presença de osteófitos.

Acontece predominantemente em mulheres de meia idade e idosos, mas pode acometer pessoas de qualquer idade, inclusive jovens, em função da sobrecarga de exercícios e uso excessivo da articulação. O tratamento consiste no uso de anti-inflamatórios, crioterapia e restabelecimento do equilíbrio muscular por meio de exercícios.

Por dentro da Bursite

No quadril, as bursas mais comumente afetadas são aquelas localizadas ao redor do trocânter maior do fêmur, chamadas bursas trocantéricas, e neste caso, o termo empregado é bursite trocantérica. Mas vale lembrar que, em muitos casos, o termo bursite do quadril também é empregado como sinônimo de bursite trocantérica.



Hoje já se sabe que apenas bursite, isoladamente, não existe. Esta é uma condição que comumente está associada ao acometimento de outras estruturas também relacionadas ao trocânter maior como o tendão do músculo glúteo médio e a fáscia lata (tecido fibroso, disposto na região lateral do quadril e coxa).

Essa associação de doenças recebe o nome de Síndrome da dor Trocantérica ou Síndrome Dolorosa Trocantérica e é considerada  uma das causas mais comuns de dor na região lateral do quadril. Por fatores anatômicos e hormonais, as mulheres são acometidas em uma proporção de 4:1 em relação aos homens, sobretudo entre a quarta e sexta década de vida.

Existem outras bursas que podem causar dor no quadril, como é o caso da bursa isquiática e da bursa do músculo iliopsoas, mas são menos frequentes que a bursite trocantérica.

A bursite não é um quadro isolado, sempre existe algo que causou a inflamação da bursa anteriormente. Discutiremos um pouco mais sobre isso no tópico a seguir, sobre causas da bursite.

Inicialmente os sintomas da bursite de quadril não são tão limitantes. O aluno pode sentir uma dor ocasional na região lateral da articulação ou dor na palpação. Em alguns casos o incômodo surge após a prática esportiva ou durante a marcha.

Conforme a inflamação progride ele vai aumentando de intensidade, pode até existir irradiação da dor pela parte lateral da coxa. Alguns dos indivíduos afetados começam a mancar durante a marcha ou reclamam de dores fortes nesse tipo de movimento. Outros sintomas comuns incluem dor noturna ou acordar durante a noite devido a dor na lateral do quadril.

Sem o tratamento adequado para a patologia o aluno pode acabar com dor crônica no quadril.


Causas da bursite do quadril

A causa mais frequentemente associada à bursite é o microtrauma na região trocantérica, proveniente de estresse repetitivo nas estruturas locais. Esse estresse resulta comumente da sobrecarga nos tendões e bursas provocada por excesso de carga durante uma atividade física; atrito por movimentos repetitivos, no caso da prática esportiva; desequilíbrio muscular ou fraqueza dos músculos que se inserem no grande trocânter (sobretudo glúteo mínimo e médio). Vale lembrar que em casos graves de fraqueza muscular, atividades leves como uma simples caminhada, pode ser considerada sobrecarga e são suficientes para desencadear a lesão e os sintomas. 

Além disso, a bursite trocantérica pode ser causada por trauma direto, por exemplo após queda sobre a lateral do quadril e também por fatores que geram sobrecarga mecânica direta sobre as estruturas do trocânter maior como: discrepância do comprimento dos membros (uma perna mais curta que a outra), quadris largos (uma das causas que justificam a maior incidência dessa doença em mulheres) e encurtamento do tecido fibroso na lateral do quadril (fáscia lata).
Alguns fatores de risco estão comumente associados a essa doença, como por exemplo:  doenças na coluna lombar doença na articulação sacroilíaca, entorse de tornozelo, artrite reumatóide, artrose de joelho, cirurgias anteriores no quadril, dentre outros. A justificativa é que essas doenças podem afetar o padrão e marcha e consequentemente sobrecarregar os tendões e bursas da região lateral do quadril. 

Fatores de Risco

O quadril é utiliza grandes grupos de suporte do corpo como os glúteos e o Core. Sem seus movimentos, não temos funcionalidade. Levando em consideração sua conexão com esses grupos musculares, dá para imaginar que um grande número de compensações pode levar ao surgimento da patologia. Seguem algumas possíveis causas para o surgimento da bursite de quadril:

● Movimentos repetitivos aliados a desequilíbrios musculares;

● Fraqueza de glúteo mínimo e/ou médio;

● Trauma direto na região;

● Discrepância de membros inferiores;

● Encurtamento da fáscia lata;

● Doenças degenerativas do quadril como artrite e osteoartrite;

● Fibromialgia;

● Obesidade.

Nenhum desses fatores que citei determina que alguém desenvolverá bursite do quadril ou é a causa da patologia.

Tratamento

O tratamento inicial para a bursite de quadril não envolve cirurgia. Em muitos casos é indicado ao paciente administrar medicamentos antiinflamatórios, mas associado a isso, a fisioterapia é considerada o tratamento de primeira escolha para essa doença e apresenta resultados extremamente satisfatórios, a curto e longo prazo, na maioria dos casos. Tem como objetivo geral reduzir o processo inflamação, aliviar a dor e diminuir a  sobrecarga sobre as bursas e tecido adjacentes.

Nos casos de falha do tratamento conservador, pode ser recomendado o procedimento conhecido como infiltração, que consiste em uma injeção local de medicamento anestésico, feito, normalmente, no próprio consultório médico. Vale lembrar, que em casos nos quais a inflamação dos tecidos foi provocada por sobrecarga e a mesma ainda persiste, esse procedimento tem efeito limitado e depois de um tempo, o paciente pode voltar a apresentar os sintomas.

A cirurgia tem rara indicação nos casos dessa doença, mas quando necessária (na falha de todos os tratamento anteriores), envolve a retirada da bursa inflamada, a liberação dos tecidos da região lateral do quadril e, em alguns casos, a reparação de tendões parcialmente rompidos. O procedimento pode ser feito por via aberta ou, como é feito mais recentemente, por artroscopia (cirurgia minimamente invasiva, feita com o uso de câmera de vídeo dentro da articulação do quadril).

Fisioterapia para bursite do quadril

Podemos separar os exercícios para as seguintes fases do tratamento de bursite de quadril:

● Fase aguda: o aluno sente dor aguda, limitando muito seus movimentos e atividades do dia-a-dia.

● Fase intermediária: já houve uma redução da dor devido aos exercícios e medicamentos aplicados durante a primeira fase.

● Fase final: nesta fase podemos eliminar a preocupação com dor e começar a trabalhar exercícios integrados que garantam maior estabilidade e mobilidade à articulação do quadril. Também poderemos começar a incluir apoios laterais nas aulas, já que o aluno provavelmente não terá desconfortos.

Exercícios para cada fase

Em um primeiro momento, o fisioterapeuta lança mão de recursos de eletrotermofototerapia (LASER, ultrassom e outros), liberação miofascial (alongamento da fáscia, sem gerar atrito no trocânter maior) e terapia manual para garantir a redução da inflamação e alívio da dor. Com essa finalidade, ressalta-se que um dos recursos com maior evidência de melhora nos casos de dor trocantérica é a aplicação do gelo. Recomenda-se que seja aplicado um pacote ou bolsa de gelo (EVITE bolsa de GEL, pois não tem o mesmo efeito) exatamente sobre a região dolorosa, sem nenhuma (ou o mínimo possível) interface entre a pele e a bolsa de gelo, por cerca de 30 minutos, em média três vezes ao dia, com intervalo de pelo menos duas horas entre as aplicações.

Na fase aguda a recomendação é focar mais em exercícios isolados que ajudem a liberar a tensão da cadeia posterior da coxa. Escolha movimentos que exijam pouca movimentação de quadril e ajudem a alinhar as articulações de membros inferiores. Se o aluno apresenta algum desvio, falta ou excesso de mobilidade no tornozelo ou joelhos essa também é a hora de corrigir.

Exercícios de fortalecimento e alongamento de musculaturas de Core também são bastante recomendados para essa primeira fase. O Core possui ligação direta nas musculaturas e movimentos do quadril e muitas vezes está tenso ou fraco. Portanto, precisaremos que essa estrutura tenha um ótimo funcionamento para aliviar a dor do paciente.

Chegando à segunda fase, a fase intermediária, teremos um aluno com dor bastante reduzida e pronto para começar com exercícios mais avançados. Agora já poderemos introduzir trabalhos de mobilidade de quadril, essenciais para essa patologia. Um exercício bastante comum e útil no tratamento de bursite de quadril são as pontes e suas variações. Elas são ótimas para combinar fortalecimento de glúteos e mobilidade de quadril. Você só precisa estar atento para possíveis desalinhamentos de membros inferiores durante o exercício.

Por fim, chegamos à fase final. Agora você está trabalhando com um aluno que se livrou da grande dor e desconforto iniciais. Porém, fique sabendo que ele ainda não está pronto para se movimentar com segurança. Precisaremos introduzir exercícios integrados para que o aluno esteja pronto para atividades diárias. O ideal é que esses exercícios combinem mobilidade e estabilidade de membros inferiores, fortalecimento de musculaturas de base e, obviamente, mobilidade de quadril. Quer uma dica? O agachamento e suas variações é uma ótima opção para essa fase final no tratamento.

Pode ser realizado um treino de correção biomecânica com o objetivo de restaurar o controle motor e a absorção das cargas que passam pelo quadril durante atividades de vida diária e principalmente das atividades esportivas, sendo estas recreacionais ou esporte de alto rendimento.

Nos casos em que os pacientes apresentam outros comprometimentos associados à bursite trocantérica como doença lombar ou artrose de joelho, preconiza-se também a abordagem terapêutica dessas articulações.

Pode parecer muito avançado para um aluno que ainda está no tratamento de uma bursite de quadril, mas ele tem tudo que precisamos. Você só deve prestar muita atenção na posição do aluno durante o exercício.

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O lúpus é uma doença autoimune ocasionada por um desequilíbrio do sistema responsável por garantir o bom funcionamento do organismo, que...

Lupus e a Fisioterapia


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O lúpus é uma doença autoimune ocasionada por um desequilíbrio do sistema responsável por garantir o bom funcionamento do organismo, que passa a produzir anticorpos que atacam as proteínas presentes nos núcleos das células, erroneamente identificadas como prejudiciais à saúde. Os sintomas podem aparecer progressivamente ou evoluir de forma rápida e, por serem tão díspares e singulares, tornam o tratamento difícil. A recomendação dos reumatologistas é de que ele seja o mais particularizado possível.

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Apesar da complexidade e da variedade, a doença pode apresentar, inicialmente, sintomas como emagrecimento, lesões cutâneas, dor nas juntas, queda de cabelo, aftas, febre, perda de apetite e fraqueza. O rim também pode ser comprometido, desencadeando a insuficiência renal, a mais grave das consequências ocasionadas pelo lúpus.

A doença tende a afetar mulheres jovens evoluindo com períodos de piora (atividade de doença) e melhora (remissão). A causa ainda é desconhecida, dependendo de uma tendência genética associada a fatores desencadeadores não totalmente conhecidos. Existem fatores precipitantes, como a exposição ao sol, infecções, estresse emocional, cirurgias e gravidez, mas os mecanismos desse funcionamento ainda não são claros.
No Brasil, não existem dados exatos, mas a Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que 65 mil pessoas tenham lúpus, a maioria mulheres, já que elas são nove vezes mais atingidas do que os homens. Embora mais frequente em torno dos 20 ou 30 anos, a doença também pode acometer crianças e idosos.

Tipos de lúpus e complicações mais comuns

São dois os tipos de lúpus mais frequentes: o cutâneo e o sistêmico. O primeiro atinge a pele, sem comprometer os órgãos internos. O aparecimento de manchas avermelhadas principalmente na região do colo, orelhas e nas maçãs do rosto e no nariz – estas últimas no formato de asa de borboleta –, é uma manifestação cutânea característica da doença. Já o lúpus sistêmico costuma atingir, além da pele, diferentes órgãos, membranas e grandes articulações.

Podemos dizer que mais de 95% dos pacientes têm inflamação nas juntas. As mãos são particularmente prejudicadas. A pessoa tem dores moderadas, mas raramente a condição é deformante.Os quadros mais preocupantes da doença são os comprometimentos do coração, cérebro, rins e das plaquetas. Se não identificados ou tratados precocemente, podem levar à perda do rim ou até à morte.

O comprometimento neuropsiquiátrico é outro fator que merece atenção, embora seja menos frequente. O paciente pode desenvolver problemas cognitivos, delírios, fortes dores de cabeça, psicose, depressão, ansiedade e manias.

Sintomas do Lupus


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A Fisioterapia

O tratamento fisioterapêutico visa inicialmente a diminuição e o controle do processo inflamatório das regiões acometidas através de recursos que promovem analgesia e diminuição da inflamação, assim dando condições para que o tecido mantenha e recupere a amplitude de movimento articular e força muscular, restaurando o equilíbrio osteomuscular, favorecendo a manutenção do condicionamento cardiorrespiratório, prevenindo a osteoporose e fraturas, mantendo a marcha e o equilíbrio, proporcionando uma boa qualidade de vida ao indivíduo.

Importante recordar que a escolha da modalidade de tratamento vai sempre depender das manifestações clínicas apresentadas pelo paciente.

O uso de estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) sendo utilizado no controle da dor crônica estimulando as fibras nervosas que transmitem sinais ao encéfalo podem ser utilizados devido a rigidez matinal, que é acompanhada de dor e de comprometimento nos quadris e tornozelos.

Os exercícios ativos vão proporcionar uma melhora na potência muscular e aumento de amplitude de movimento. A fadiga pode ser tratada através da cinesioterapia aeróbica e com técnicas de relaxamento.

Publicado em 22/04/13 e revisado em 15/04/19

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