1 - O que significa miofascial? O termo miofascial provém das palavras "mio '' que significa mús...

11 perguntas e respostas sobre Sindrome Miofascial


1 - O que significa miofascial?

O termo miofascial provém das palavras "mio '' que significa músculo, e" fáscia "uma estrutura composta por tecido conjuntivo que se espalha e envolve todas as estruturas do organismo humano de maneira tridimensional da cabeça aos pés, como ossos, músculos, nervos, vasos sanguíneos, enfim todos os órgãos, até o nível das células. Portanto, ele não é sinônimo da face embora a mesma possa estar também envolvida. Por esta razão as doenças que acometem estas estruturas -inflamação, erros de postura ou traumas podem se confundir com outras enfermidades dolorosas e comprometer diversos sistemas".

 2 - O que é síndrome miofascial (SMF)?

É um conjunto de sinais e sintomas caracterizada por apresentar dor localizada, aumento da sensibilidade muscular, e redução da amplitude dos movimentos sendo mais freqüentes na cabeça, pescoço, ombros, braços, pernas e região lombar e glúteas entre outras podendo acometer qualquer grupo muscular. Ela pode muitas vezes estar associada a manifestações psicológicas como ansiedade e depressão. SMF, apesar de dolorosa não apresenta risco de vida, porém pode prejudicar a qualidade de vida de seu portador com impactos em seus familiares, ambiente de trabalho e sociedade. Quando tratada corretamente pode cessar embora muitos relatam dor por longos períodos. A intensidade dessa dor pode variar durante o dia, e costuma se agravar, muitas vezes com a atividade física e situações estressantes.

3 - Qual é a freqüência da síndrome?

A SMF provavelmente é a síndrome dolorosa mais freqüente na prática clínica. Não se sabe ao certo a sua prevalência, entretanto estudos epidemiológicos realizados em diferentes partes do mundo a colocam como a causa mais comum de dor músculo-esquelética crônica localizada. Em clínicas especializadas no tratamento da dor crônica, ela esta presente em 85 % dos casos. Nos pacientes com dor de cabeça de origem no pescoço em 55,4 %. Esta doença muitas vezes deixa de ser identificada pelos profissionais da saúde quando não confundidas com a fibromialgia.

4 - Como a síndrome miofascial é diagnosticada?

Não existem testes laboratoriais ou exames de imagem específicos para o seu diagnóstico. Ele é essencialmente clínico. Portanto uma boa conversa com o paciente que inclui o seu histórico, antecedentes pessoais, familiares e psicológicos seguido do exame físico e do aparelho locomotor, incluindo a presença dos trigger points ou pontos-gatilho (PG) nos músculos, é o mais importante. É também importante a palpação das articulações têmporo-mandibulares e a inspeção da arcada dentária, pois, os dentes poderão apresentar redução de sua altura e com o aspecto de lixados.

5 - O que são trigger-points ou pontos gatilho?

São regiões sensíveis localizados nos músculos (ver figuras abaixo). Quando esses pontos são pressionados aplicando uma força normal os pacientes podem sentir dor no próprio local ou em outras áreas do corpo, podendo relatar outros sintomas como formigamento nas mãos, queimação e ardência. Tal situação é denominada de dor referida. Como exemplo: caso um ponto-gatilho foi pressionado nos músculos do pescoço você poderia sentir dor atrás de seus olhos. Algumas vezes o paciente refere e sente nesse ou outro ponto a presença de nódulo. O reumatologista deve conhecer esta situação, para não haver confusão com outros diagnósticos. Como ilustração podemos citar um paciente que tem dor no pescoço que se irradia para membro superior ser interpretado como portador de uma hérnia de disco cervical, que eventualmente poderá estar presente em um exame de imagem, porém não é o fator responsável pela dor. Um exame clínico minucioso certamente levaria ao diagnóstico correto de síndrome miofascial.

6 - Quais os fatores que podem ativar os trigger points ?

Vários estão relacionados, entre temos: Trauma súbito do aparelho locomotor (músculos, ligamentos, tendões, bursas), lesão do disco vertebral, fadiga generalizada, exercícios excessivos acima do seu limite, movimentos repetitivos e estresse muscular, doenças em outros órgãos (o infarto do miocárdio, apendicite ou gastrite entre outros ), sedentarismo, deficiências nutricionais, alterações hormonais e estresse psicológico.

7 - O que causa a síndrome miofascial?

Não se conhece atualmente a sua causa exata. Entretanto, ela pode ser devida a um conjunto de fatores isolados ou associados que incluem a má postura, pressão contínua sobre um músculo, estresse emocional, movimentos repetitivos e doenças articulares. Estes fatores podem levar o individuo a um ciclo vicioso com inatividade, incapacidade física, incluindo sofrimento físico e psicológico, gerando a memória da dor.

8 - Quais os fatores perpetuantes mais comuns?

Na maioria das vezes os mesmos desencadeadores dos pontos de gatilho ( trigger points), entre eles: fatores mecânicos (esforços repetitivos ou acidentes), problemas anatômicos como a assimetria de membros, alças de soutien muito apertadas e/ou que suportam mamas volumosas, exercícios musculares excessivos, Distúrbios do sono e doenças associadas (climatério, desnutrição, hipotiroidismo entre outros).

9 - Como a síndrome miofascial é tratada?

O tratamento da SMF é realizado por uma equipe multiprofissional liderada por um especialista que inclui medicamentos e outros métodos não farmacológicos. Para melhor resultado o paciente necessariamente devera ser conscientizado e participar do raciocínio clinico e planejamento terapêutico. A sua aderência ao tratamento é essencial. A identificação das causas e fatores desencadeantes e perpetuantes e deve individualizada para cada caso. Isto se deve a natureza crônica e aos fatores físicos e psicológicos de cada individuo. No lar e no ambiente de trabalho os fatores ergonômicos e posturais tem que ser analisados, incluindo os hábitos de atividades de vida diária, no trabalho, modo de dormir, atividades de lazer e esporte, entre outros. Os principais tratamentos e procedimentos seguem abaixo: • Conscientização da necessidade de mudar o estilo de vida: aumentar a atividade física, de forma gradual e acompanhada por um profissional de saúde; abolir o tabagismo, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e a base de cafeína. Caso contrário esses fatores podem agravar os sintomas. • Técnicas de relaxamento: a redução do estresse emocional, através das técnicas de relaxamento é benéfica. Podem ser utilizadas nesses casos, yoga, meditação e outras. • Obedecer às regras da postura: aprender e aplicar os princípios de postura correta e mecânica corporal pode ajudar a aliviar o estresse e a tensão nos músculos afetados. • Infiltração nos pontos de gatilho (trigger –point): neste procedimento um analgésico é injetado no local doloroso para aliviar a sua tensão. • TENS.- Estimulação elétrica transcutânea: a aplicação de uma pequena corrente de eletricidade no local pode aliviar tensão muscular e dor. • Apoio psicológico: quando necessário, a terapia cognitiva comportamental tem se mostrado muito útil. • Apoio odontológico: Nos casos em que ocorre o bruxismo com o comprometimento da articulação temporo-mandibular (ATM) a utilização de uma placa entre os dentes pode aliviar os sintomas. • Medicamentos: a prescrição de medicamentos ter por objetivo aliviar a dor, melhorando a qualidade de vida do paciente. Antiinflamatórios, relaxantes musculares analgésicos e antidepressivos.

10 - Qual a diferença entre SMF e fibromialgia?

A SMF é freqüentemente confundida com fibromialgia, pois, em muitas situações suas manifestações são comuns, entretanto são entidades distintas. Ambas fazem parte das síndromes de amplificação dolorosa, sendo que a fibromialgia apresenta dor difusa em múltiplos pontos dolorosos, chamados tender points em locais mais determinados do corpo (generalizada). Já a síndrome miofascial a dor é mais localizada e os tender points quando pressionados não causam dor referida como os trigger points. As suas principais características diferenciais estão abaixo: CARACTERISTICA /FIBROMIALGIA/SMF: Dor/ Difusa/ Local Fadiga/ comum/ incomum Tender points/ Presentes /ausentes Trigger points /ausentes /presentes Prognóstico com tratamento/ Crônica(em 80%)/ melhor

11 - O que é disfunção da articulação têmporo-mandibular (DTM) e qual a sua relação com SMF?

A disfunção têmporo-mandibular, denominação genérica corresponde a um conjunto de anormalidades na articulação responsáveis por dores crônicas do tipo recorrente, não progressiva que se manifestam por dor localizada ao redor da orelha ou região que pode se irradiar para o pescoço, mandíbula, dentes, leve ou moderado que é exacerbada pelo ato mastigatório. Esta dor é de origem muscular, articular ou mista. Ela inclui vários subgrupos de dores músculo-esqueléticas relacionadas à atividade mandibular, portanto, a denominação DTM engloba as condições dolorosas crônicas decorrentes dos músculos mastigatórios, das articulações temporo-mandibulares e das estruturas associadas. Na maioria das vezes o desarranjo interno é devido à sobre carga micro ou macro traumática da articulação com o comprometimento da musculatura da circunvizinhas. Este conceito sugere que o diagnóstico em DTM deve englobar além dos aspectos físicos, emocionais, comportamentais e sociais dos pacientes. Entre as causas secundárias temos: má oclusão dentária, artrite reumatóide, artrose, deslocamento do disco presente na articulação. Porém a principal causa é a síndrome miofascial dos músculos mastigatórios. Esta ocorre devido a uso repetitivo e não persistente da musculatura envolvida. A maioria dos pacientes com DTM tem bruxismo noturno (ranger de dentes a noite) com relação com distúrbios da esfera psicogênica, que regra geral se acompanham de cefaléia e dor no pescoço.


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Quando o corpo está ativo, as articulações ficam mais flexíveis e tem suas funções motoras preservadas, portanto mesmo com a artrite, o exer...

Atividade física para quem tem artrite: a fisioterapia atuando!


Quando o corpo está ativo, as articulações ficam mais flexíveis e tem suas funções motoras preservadas, portanto mesmo com a artrite, o exercício é muito bem vindo. Além disso, músculos mais fortes evitam que as juntas se deformem.  

Mas, ao contrário do que muitos pensam, não é tão simples ignorar a dor e entrar em uma rotina saudável. Isso, na maioria das vezes, é até desaconselhado. Manter uma região inflamada em constante movimento ou contato, impede que o organismo consiga se recuperar. Fazer exercícios que forçam as articulações durante um processo inflamatório é o mesmo que ficar tirando a casquinha de um machucado. A lesão nunca irá cicatrizar e o desconforto só irá piorar.

Existem vários tipos de artrite, mas os mais comuns são a piogênica aguda e a artrite reumatoide. Para continuar com o corpo em movimento é preciso adaptar a rotina de exercícios de acordo com o tipo de inflamação nas articulações. É  importante o aval de um médico antes de começar a fazer qualquer tipo de atividade, principalmente se a artrite faz parte da sua vida.  

Artrite aguda

Quando a artrite é causada por um trauma ou uma lesão, ela é chamada de artrite aguda ou piogênica. As regiões mais afetadas por esse problema são o joelho e o tornozelo. Nessa situação, os exercícios podem esperar até que a inflamação esteja sobre controle. Depois que o processo inflamatório nas articulações se apresenta em uma fase já assintomática, exercícios que trabalham a musculatura e protegem as articulações já podem ser feitos.

Para manter a musculatura apta a repetir os movimentos do dia a dia, muitos dos exercícios repetem os esforços feitos no cotidiano. Os exercícios para quem sofre com artrite normalmente não envolvem pesos ou são feitos com carga muito reduzida. É comum treinos que imitam movimento de acelerar um carro ou subir uma escada, por exemplo, para fortalecer os músculos mais usados.

Artrite reumatoide

 Nesse caso, o acompanhamento de um médico é ainda mais importante, já que as dores e inflamações são crônicas e causadas por fatores genéticos. O exercício físico é um coadjuvante no tratamento com remédios. O médico, ao analisar o estado das inflamações nas articulações, pode diagnosticar alguns exercícios que ajudam a diminuir o avanço dos sintomas da doença.

Por causa das dores comuns na artrite reumatoide, muitos indivíduos deixam de praticar esportes, o que pode trazer malefícios à musculatura a as próprias articulações. É por isso que muitos médicos indicam os exercícios como coadjuvante no tratamento à base de remédios para a artrite.

Entre na piscina

Natação é um ótimo jeito de aumentar o condicionamento das juntas de todo o corpo. "Ela é uma boa escolha, já que trabalha com o fortalecimento de grandes grupos musculares sem causar tensão nas articulações, além de condicionar o sistema cardiovascular.

Hidroginástica também provoca os mesmos benefícios. Como a água amortece os impactos dos pés com o chão, e oferece maior resistência que o ar, a ginástica feita dentro da piscina traz um maior gasto calórico sem prejudicar as articulações.

Exercícios isométricos

Quando os exercícios tradicionais se tornam muito difíceis de serem feitos, os exercícios isométricos são uma maneira alternativa de fortalecer os músculos e proteger as juntas corporais. Esse tipo de exercício consiste em forçar os músculos sem provocar um movimento ou mudança de ângulo nas articulações mais afetadas pela artrite reumatoide. Eles podem ser feitos com várias intensidades, que é estabelecida de acordo com as limitações e necessidades de cada pessoa.

Um exercício bastante simples, que pode ser feito em casa, se encaixa nessa categoria. Como a artrite na mão e nos dedos é bastante comum em mulheres, fortalecer os músculos dessa área previne contra dores e até a perda gradual dos movimentos dos dedos. Amarrar os dedos das mãos com um elástico de escritório comum, e fazer força para tentar forçá-lo para fora, trabalha os músculos das mãos e protege as articulações.  

Exercícios de baixo impacto

Nesse grupo de atividades físicas estão a caminhada, a dança, subir escadas e pilates. Essa turma de exercícios controla a pressão sanguínea, o colesterol, fortalece o sistema cardiovascular e ainda queimam calorias. Tais benefícios são importantes porque pessoas com artrite reumatoide estão mais propensas a desenvolver doenças cardíacas. Além disso, são exercícios que ajudam a retardar a perda de massa óssea causada pela artrite, diminuindo as chances de osteoporose no futuro.

Tai Chi

Essa técnica oriental pode ajudar os pacientes com artrite a aumentar o alcance de seus movimentos, ficar com mais flexibilidade, tonificar mais os músculos, principalmente das pernas, e proporcionar um melhor equilíbrio corporal. Além disso, ao focar na respiração e na concentração, o Tai Chi ajuda a relaxar e esquecer as dores causadas pela doença.

Saiba dosar o treino

Para todos os esportistas, fica a dica: não adianta exigir mais do que o seu corpo é capaz de suportar. Para quem sofre com a artrite, esse conselho é ainda mais importante. Manter o corpo sempre em atividade impede a recuperação de microlesões que acontecem durante o treino. Procure sempre um profissional habilitado para dosar o ritmo dos exercícios e as pausas entre eles para atingir um equilíbrio ideal.

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    Doenças Reumáticas são doenças e alterações funcionais do sistema musculoesquelético de causa não traumática. Há mais de uma centena d...

Osteoartrite: tipologia e tratamento

    Doenças Reumáticas são doenças e alterações funcionais do sistema musculoesquelético de causa não traumática. Há mais de uma centena de doenças reumáticas, cada qual com vários subtipos, onde se incluem as doenças inflamatórias do sistema musculoesquelético, do tecido conjuntivo e dos vasos, as doenças degenerativas das articulações periféricas e da coluna vertebral, as doenças metabólicas ósseas e articulares, as alterações dos tecidos moles periarticulares e as doenças de outros órgãos e/ou sistemas relacionadas com as anteriores, estas doenças reumáticas podem ser agudas, recorrentes ou crônicas e atingem pessoas de todas as idades. Estudos apontam que as mulheres, sobretudo a partir dos 65 anos, são quem mais sofrem com as doenças reumáticas.

    Este artigo tem por base referencias da literatura, e irá discutir assuntos a cerca de doenças reumáticas, aqui em relevância a osteoartrite ou osteoartrose e como a atividade física pode auxiliar no tratamento como método não farmacológico, para portadores dessas doenças.

Artrose

    A osteoartrite (OA) também conhecida como osteaortrose, doença articular degenerativa ou artrite hipertrófica, é uma doença crônica multifatorial que leva à incapacidade funcional progressiva, de característica reumática mais prevalente entre indivíduos com mais de 65 anos de idade. Estudos americanos apontam que mais de 50 milhões de pessoas apresentam hoje esta enfermidade. No Brasil, não existem dados precisos sobre esta prevalência, que atinge as articulações sinoviais e caracteriza-se por apresentar alterações na cartilagem articular, dando origem a zonas de fibrilação e fissura, dor e rigidez articular, deformidade e progressiva perda da função, afetando o indivíduo em múltiplas dimensões: do nível orgânico até o social (ROIMISHER, 1980)1 e (THREKELD, 1988)2. Atinge diversas articulações, em geral, expostas à maiores sobrecargas.

    As dores no joelho, em pacientes de idade superior a 60 anos, são freqüentes e, em geral, é provocada pelo desequilíbrio muscular decorrente do envelhecimento ou mesmo do processo degenerativo tão comum nesses pacientes (SLEMENDA et al. 1997)3. Homens e mulheres são igualmente afetados, embora no homem a maior prevalência seja antes dos 45 anos e, nas mulheres, depois dos 45 anos (SKARE, 1999)6.

    Segundo Burnning e Materson4, manter a mobilidade articular é muito importante para os pacientes com artrose, pois a perda de amplitude de movimento causa encurtamento, contratura nos músculos e estruturas capsulares, podendo dificultar a funcionalidade. A força do alongamento deve ser controlada em casos de inflamação, pois esta diminui a força tênsil do músculo em 50% (BURNNING, 1991)4 e (HOFFMAN, 1993)5.

Alguns tratamentos relatados na literatura

    Para esse tipo de doença crônica e multifatorial que pode levar a incapacidade funcional, o tratamento deve ser também multidisciplinar e buscar a melhora funcional clinica e mecânica. Os trabalhos para o tratamento são:

  • Motivação e envolvimento do paciente no seu tratamento, pois o paciente é um agente ativo no seu programa de reabilitação;

  • A prática de atividades esportivas deve ser estimulada, porém sob orientação de um profissional habilitado;

  • Orientação para cuidados com relação ao uso de rampas e escadas;

  • Orientação com relação à ergonomia do trabalho doméstico ou profissional;

  • Fortalecimento – ganho de massa muscular através de exercícios de força. O fortalecimento do músculo quadríceps deve ser feito nas AO do joelho (ETTINGER, 1997)7;

  • Aeróbios – Condicionamento físico (ETTINGER, 1997)7;

  • Alongamento Flexibilidade (VAN BAAR, 1998)8.

    Também podem ser indicados quando há necessidade de melhora, auxiliar ou substituir uma função. A estabilização que se dá por meio de goteiras elásticas é efetiva no tratamento da sintomatologia dolorosa da OA fêmur-patelar.

    Alguns estudos nos servem de base para que possamos chegar a algum consenso na hora de agirmos como profissionais para prescrição de atividade física, segue algumas dicas e sugestões:

  • Fase aguda da doença: se houver edema priorizar exercícios isométricos;

  • Fase crônica: sempre usar aparelhos, como forma de auxilio na execução do movimento, trabalho aeróbio: melhora a capacidade funcional (bicicleta e elíptico, sugere-se sempre utilizar equipamentos em cadeia cinética fechada), hidroginástica e hidroterapia são indicados por diminuírem significativamente o impacto nas articulações, exercícios de alongamento e relaxamento, exercícios de controle postural e sempre indicar movimentos em amplitudes intermediarias.

    Ainda segundo Wladymir et al.9, "O próprio consenso brasileiro para diagnóstico e tratamento da artrite reumatóide é bastante evasivo no que concerne o tratamento não-medicamentoso por meio de EF." Sugere apenas que o condicionamento físico deve envolver atividades aeróbias, exercícios resistidos, alongamentos e relaxamento e que essas atividades devem ser estimuladas observando-se os critérios e tolerância ao exercício e à fadiga.

Materiais e métodos

    Este trabalho caracteriza um estudo clínico de caráter semi-experimental. O estudo foi realizado em um Studio Personal, por uma profissional de Educação Física com formação em Personal Trainer.

    O presente estudo foi realizado com um indivíduo do sexo masculino, com idade de 55anos, peso corporal de 72,8 quilos, estatura de 1,69 metros, pressão arterial (PA) de 120/80 mmHg, freqüência cardíaca de repouso (FCR) 58 bpm (batimentos por minutos), percentual de gordura de 24,8% e faz atividade física 3 vezes por semana. Durante 3 meses.

    Para os testes, foram utilizados os seguintes materiais:

  • Balança digital Plena;

  • Fita métrica;

  • Compasso Cescorf com leitura de 0,1mm.

    Foi realizado o teste VO2 pelo método de esforço Ergonométrico em clinica cardiológica especializada, acompanhado pelo médico cardiologista. Para o cálculo da composição corporal, foi utilizado o protocolo de Pollock.

    Nesse estudo, avaliou-se a flexibilidade, através do Teste de Sentar e Alcançar, utilizando o banco de Wells, realizado antes e após intervenção, para comparação dos resultados.

    Inicialmente realizou-se pesquisa para verificar a qualidade de vida do individuo em questão, utilizando para tal um questionário especifico formulado pelo profissional. As questões foram formuladas objetivando verificar o estado físico e psicológico, sendo realizada entrevista para constatar relato de queixas quanto a desconforto e dores pelo paciente. O paciente relatou dores no joelho direito diante do qual foi solicitado exame junto ao medico ortopedista, que especificou raios-x para detectar alguma anomalia.

    O método utilizado foi trabalho de exercícios funcionais juntamente com musculação, trabalho de alongamento e condicionamento físico moderado. Foram aplicadas três sessões semanais de duração de 75 minutos cada, durante 12 semanas consecutivas, sendo as 2 semanas iniciais de adaptação, realizando avaliação inicial e final.

    Os exercícios realizados estão descriminados na Tabela 1 abaixo, sendo inicialmente 2 semanas de adaptação e depois com incrementos e com descanso de 2 minutos por execução da série de exercícios, os exercícios aeróbicos foram aplicados na esteira e na rua para um melhor desempenho.

Tabela 1. Exercícios aplicados no treinamento de musculação

    No inicio do treinamento foram aplicadas os testes de escala de Borg que é uma percepção subjetiva de esforço, esta escala avalia a intensidade da dor, quantificando em uma escala de 0 a 10, onde 0 não representa dor e 10 representa o limite máximo da pessoa para o exercício. A aplicação do teste foi antes para a elaboração do treinamento.

Resultados e discussões

    Os resultados mostrados a seguir para melhor compreensão, a melhor forma optada foi por tabela e gráficos. Na tabela 2, podemos analisar as variáveis antes e depois da intervenção.

Tabela 2. Variáveis analisadas antes e depois da intervenção

    Os resultados do aumento do peso corporal e a baixa porcentagem de gordura indicaram a eficácia do programa de exercícios, onde a massa gorda foi substituída pela massa magra com redução de 25,8%, o VO2 teve um aumento de 24,4% e em relação à flexibilidade houve um aumento de 31,6%, são resultados bons para uma pessoa de 55 anos com problemas articulares e de acordo com relatos do paciente percebeu melhora substancial em sua condição física e reduziu as dores no joelho onde foi constatado a OA.

    Com a análise nos dados pré e pós teste, juntamente com a anamnese realizada, pode-se constatar a melhora, na condição de dor do pesquisado, isto verificado em exames realizados junto ao médico ortopedista e por relatos na melhora da dor do avaliado.

    Não há na literatura um consenso no que diz respeito a um protocolo geral no tratamento não farmacológico da OA, o que existe são registros a cerca dos benefícios da atividade física para esse grupo. Houve também, uma melhora no quadro geral do condicionamento físico do avaliado, o que nos comprova, que mesmo diagnosticado OA e com relatos de dor do paciente, um programa de exercícios bem aplicado, favorece positivamente no quadro álgico. Notou-se também, que o ganho de condicionamento físico acompanhou a diminuição da dor, o que nos leva a crer que um trabalho de condicionamento físico voltado à saúde (onde na literatura, sugere-se trabalhar exercícios voltados a antropometría, ao VO2 Max, a resistência muscular, a força muscular e flexibilidade) é uma boa recomendação para tratar a OA.

    Segundo FEDER10, a perda da força e da potência musculares leva à diminuição na capacidade de promover torque articular rápido e necessário às atividades que requerem força moderada, como: elevar-se da cadeira, subir escadas e manter o equilíbrio ao evitar obstáculos. Isso, além de causar maior dependência do indivíduo, pode facilitar as quedas. O treinamento de força vem nos ajudar nessa perda da capacidade como observamos no trabalho realizado o aumento da força do aluno estudado, os exercícios realizados foram trabalhos isométricos o qual indicado para articulações instáveis ou edemaciadas essas contrações isométricas produzem baixa pressão articular e são bem toleradas por pacientes idosos (ROGIND et al., 1998)11.

    Os exercícios isotônicos devem ser usados inicialmente com pesos de 40% da carga máxima do indivíduo, chegando a um aumentando máximo de 80% e realizando intervalo de recuperação de dois minutos para cada sessão de exercício executado e pós término do treinamento, de 48 horas (VOZ et al., 2005)12 e (VICENTE et al., 2002)13.

Considerações finais

    A atividade física vem sendo utilizada como um método não farmacológico no tratamento e prevenção da osteoartrite. Verificou-se que o treinamento de força, flexibilidade e o aeróbico foram muito eficazes. Diversos autores e pesquisas relatam os benefícios da atividade física, mas o que não se tem ainda é um consenso no que diz respeito a um protocolo geral a ser seguido de atividades, mas sabemos e comprovamos que se prescrevermos um treinamento individual e colocarmos em prática respeitando o limite e o descanso entre os exercícios terá um ótimo resultado e retardaremos as dores e os desequilíbrios, pois teremos suporte muscular para essa doença. Deve-se ainda levar em consideração se o portador da doença esta sob ação aguda ou crônica, porque as indicações de atividades físicas mudam o que não interfere na prática de exercícios, desde que esses sejam bem orientados.

Referências bibliográficas

  1. ROIMISHER S. Conceito, Etiopatogenia e Patologia da Artrose. In: Cruz Filho (Ed): Clínica Reumatológica, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1980, p. 486-490.

  2. THREKELD A. J.; CURRIER D. P. Osteoarthritis: effects on synovial joints tissues. Phys Ther 68: 364-370, 1988.

  3. SLEMENDA C.; BRANDT K. D.; HEILMAN D. K.; MAZZUCA S.; BRAUNSTEIN E. M.; KATZ B. P.; WOLINSKY F. D. Quadriceps weakness and osteoarthritis of the knee. Ann Intern Med. 1997;127(2):97-104.

  4. BURNNING R. D.; MATERSON R. S. A rational program of exercise for patients with osteoarthritis. Semin Arthritis Rheum 21: 33-43, 1991.

  5. HOFFMAN D. F. Arthritis and exercise. Prim Care 20: 895-910, 1993.

  6. SKARE T. L. Reumatologia: Princípios e Práticas. Ed. Guanabara Koogan S.A. Rio de Janeiro, 1999.

  7. ETTINGER W. H.; BURNS R.; MESSIER S. P. A randomized trial comparing aerobic exercise and resistance exercise with a health education program in older adults with knee osteoarthritis: the Fitness Arthritis and Seniors Trial (FAST). JAMA: 277: 25-31, 1997.

  8. VAN BAAR ME; DEKKER J.; OSTENDORP R. A. B. J Rheumatol 25: 2432-2439, 1998.

  9. WLADYMIR K.; AMABIL D. B; GEVAERD M. S.; DOMENECH S. C. Artrite reumatóide e exercício físico: resgate histórico e cenário atual. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde • Volume 14, Número 1, 2009.

  10. FEDER G.; CRYER C.; DONOVAN S.; CARTER Y. Guidelines for the prevention of falls in people over 65. The Guidelines' Dev Group. BMJ. 2000; 321(7267):1007-11.

  11. ROGIND H., BIBOW N. B.; JENSEN B.; MOLLER H. C.; FRIMODT M. H.; BLIDDAL H. The effects of a physical training program on patients with osteoarthritis of the knees. Arch Phys Med Rehabil. 1998; 79(11):1421-7.

  12. VOS N. J.; SINGH N. A.; ROSS D. A.; STAVRINOS T. M.; ORR R.; FIATARONE S. M. A. Optimal load for increasing muscle power during explosive resistance training in older adults. J Gerontol A. Biol. Sci. Med. 2005; 60(5):638-47.

  13. VINCENT K. R.; BRAITH R. W.; FELDMAN R. A.; MAGYARI P. M.; CUTLER R. B.; PERSIN S. A. Resistance exercise and physical performance in adults aged 60 to 83. J Am Geriatric Soc. 2002; 50(6):1100-7.

Autores:

Alessandra Zorzan de Souza*

Prof. Ms. Erivelton Fontana de Laat**

alevolei21@hotmail.com






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INTRODUÇÃO Artrite reumatóide (AR) é uma desordem auto-imune de etiologia desconhecida caracterizada pela ocorrência d...

Efeitos da reabilitação aquática na sintomatologia e qualidade de vida de portadoras de artrite reumatóide


INTRODUÇÃO

Artrite reumatóide (AR) é uma desordem auto-imune de etiologia desconhecida caracterizada pela ocorrência de vários episódios de processos inflamatórios reativos que podem afetar muitos tecidos e órgãos - pele, vasos sangüíneos, coração, pulmões e músculos - mas que ataca principalmente as articulações (preferencialmente articulações periféricas e esqueleto axial), produzindo uma sinovite proliferativa não supurativa que progride freqüentemente para a destruição da cartilagem articular e anquilose das articulações1-4.

Acredita-se que a prevalência da AR seja em torno de 1 a 5 % da população mundial. Em adultos a AR é mais comum em mulheres numa proporção de 5:1 e ocorre especialmente na faixa de 40 a 60 anos; porém, quando há acometimento masculino, o curso da doença tende a ser pior2,5,6.

A AR instala-se de maneira insidiosa e progressiva. Suas manifestações podem ser tanto articulares como extra-articulares. Em manifestações articulares apresentam-se dor e entumecimento, derrames em grandes articulações, rigidez matinal, atrofia muscular periarticular, deformidades. Como manifestações extra-articulares na AR podem-se citar febre, astenia, fadiga, modificações cutâneas e vasculares, linfadenopatia, esplenomegalia, manifestações oculares, cardíacas, respiratórias, neuropatias reumáticas, anemia e a presença de nódulos reumatóides subcutâneos (em superfícies extensores principalmente)7. Todas as articulações sinoviais podem ser acometidas, mas é mais freqüente o acometimento das articulações metacarpofalangianas (MCF), interfalangianas proximais (IFP) das mãos e dos pés, articulações carpais, articulação radioulnar distal e radiocarpal. As articulações acromioclavicular, esternoclavicular, temporomandibular, ombro, cotovelo, quadril, joelho e tornozelo também podem ser afetadas; na coluna vertebral a região mais acometida é a cervical8.

Um paciente é considerado portador de AR quando apresentar quatro dos sete critérios definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia em 19981,9: 1, rigidez matinal por no mínimo 60 minutos; 2, artrite em três ou mais áreas articulares; 3, artrite nas articulações das mãos; 4, artrite simétrica; 5, presença de nódulos reumatóides; 6, positividade do fator reumatóide (80% dos casos); e 7, alterações radiográficas típicas.

Tem-se recorrido cada vez mais à fisioterapia para o tratamento de doenças reumáticas, em especial nos casos de artrite reumatóide, normalmente associada ao tratamento medicamentoso, o que tem permitido resultados favoráveis8,10.

A hidroterapia é um dos recursos mais antigos da fisioterapia, sendo definida como o uso externo da água com propósitos terapêuticos. É um recurso muito utilizado no processo de reabilitação especialmente em pacientes reumáticos, por possuir algumas vantagens devido às propriedades físicas e efeitos fisiológicos propiciados pelo meio aquático11,12. É freqüentemente recomendada para pacientes com artrite, pois proporciona uma gama de benefícios incluindo redução de edema, dor e da sobrecarga sobre as articulações já lesionadas13.

A hidroterapia promove reações diferentes daquelas experimentadas em solo, melhorando a circulação periférica, beneficiando o retorno venoso, além de proporcionar um efeito massageador e relaxante, atuando dessa forma nas principais queixas de pacientes com AR. Os exercícios na água são muito bem tolerados, especialmente em água aquecida, pois o ambiente morno ajuda a reduzir a dor e espasmos musculares14. A água oferece suave resistência durante os movimentos e, ainda, a oportunidade de treinamento em várias velocidades. Esses componentes fazem com que o exercício aquático seja um excelente método para aumento da resistência e força muscular15.

Por décadas o repouso foi, juntamente com a medicação, o tratamento predominante para AR em adultos e crianças (AR juvenil). Essa atitude vem mudando, uma vez que os benefícios do tratamento com exercícios físicos regulares em pacientes com artrite são cada vez mais evidentes. Vários estudos pilotos utilizando diferentes programas de tratamento vêm sendo realizados, porém existe grande necessidade de padronização e controle dos protocolos propostos16.

Segundo Foley et al.13, que fizeram um levantamento de trabalhos utilizando a hidroterapia no tratamento de artrites, achados positivos foram detectados na maioria dos trabalhos avaliados, mas em nenhum deles foi alcançada de maneira satisfatória uma conclusão baseada em evidências, quanto à eficácia da hidroterapia para pacientes com AR.

Por ser uma doença crônica, a AR interfere diretamente na qualidade de vida incluindo aspectos físicos, psicológicos e sociais; é tradicionalmente considerada a doença de maior impacto em todos os aspectos de qualidade de vida. Assim, as intervenções terapêuticas propostas no tratamento dessa patologia visam a melhora na qualidade de vida dos pacientes6,17.

O termo qualidade de vida relacionada à saúde surgiu no final da década de 1940, quando a Organização Mundial da Saúde definiu saúde como um estado de bem-estar físico, mental e social, mais que simplesmente ausência da doença ou enfermidade18. Em 1948, Karnofsky foi um dos pioneiros ao introduzir no campo médico uma escala para medir a qualidade de vida de pacientes, que se chamava Karnofsky performance status scale. Vários questionários-escalas foram desenvolvidos e aperfeiçoados desde então; atualmente, o questionário mais utilizado para avaliar a qualidade de vida é o Short-Form-36 (SF-36), multidimensional, formado por 36 itens distribuídos em dois grandes componentes, físico e mental19.

Com base na escassa existência de estudos que avaliem recursos não-medicamentosos úteis para o tratamento da AR, o presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito da terapia aquática na sintomatologia e qualidade de vida de portadoras de AR.

 

METODOLOGIA

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Uniara. As pacientes que participaram do estudo foram encaminhadas pela reumatologista responsável pelo acompanhamento clínico da doença, esclarecida quanto aos objetivos e protocolo de tratamento aquático adotados no estudo e consultada sobre eventuais contra-indicações. Todas as pacientes mantiveram o acompanhamento médico durante a realização do estudo e assinaram um Termo de Consentimento Pré-informado, após terem sido esclarecidas quanto aos objetivos e métodos do estudo.

Foram avaliadas nove pacientes, com idade de 56,4±5,2 anos, encaminhadas ao setor de fisioterapia com diagnóstico médico de AR. Após a avaliação, oito voluntárias foram selecionadas para participar do estudo pois atenderam aos critérios de inclusão: diagnóstico médico de AR atestando por meio de exames laboratoriais que a doença não se encontrava em período de exacerbação, ausência de patologias associadas como estado depressivo severo, patologias cardíacas ou pulmonares graves e doenças metabólicas não-controladas (diabetes, dislipidimias), além de não estar realizando qualquer outro tipo de tratamento fisioterapêutico ou que envolvesse atividade física. Os critérios de exclusão foram presença de contra-indicações para realizar atividade aquática, como ulcerações, febre, fobia de água e incontinência urinária. As voluntárias selecionadas foram convidadas a participar do programa de tratamento em piscina descrito a seguir.

Procedimentos

As pacientes foram submetidas a uma avaliação fisioterapêutica consistindo em anamnese, avaliação da qualidade de vida por meio do Questionário SF-36 e avaliação de rigidez matinal, dor e qualidade do sono por meio de escalas analógico-visuais (EVAs) adaptadas de Rocha20.

O Questionário SF-36 é formado por 36 itens, reunidos nos componentes físico e mental. Cada componentes é formado por quatro domínios constituídos de itens que avaliam uma mesma área da vida dos pacientes. O componente físico é composto pelos seguintes domínios: capacidade funcional (10 itens), aspectos físicos (4 itens) dor (2 itens) e estado geral de saúde (5 itens); o componente mental abrange domínios como vitalidade (4 itens), aspectos sociais (2 itens), aspectos emocionais (3 itens) e saúde mental (5 itens)19, 21-25. Quanto mais alto o escore obtido, melhor é a qualidade de vida relacionada à saúde.

As EVAs utilizadas e os respectivos graus foram as que se seguem. Para dor e rigidez matinal: 1 ausente; 2 fraca; 3 moderada; 4 forte; 5 muito forte; e para qualidade do sono: 1 dorme bem, sem acordar durante a noite; 2 sono interrompido, acorda algumas vezes durante a noite; 3 sono interrompido, acorda várias vezes durante a noite; 4 insônia20.

Protocolo de tratamento

As voluntárias foram submetidas a um protocolo de hidroterapia, em piscina com temperatura da água mantida entre 28º e 32ºC. O tratamento totalizou dez sessões de 45 minutos cada, com freqüência de duas vezes semanais.

Cada sessão foi composta por aquecimento, condicionamento, alongamento e relaxamento. O aquecimento (10 min) consistiu em caminhada na lateral da piscina, de frente e de lado; no condicionamento (25 min) foram realizadas atividades enfatizando movimentação de punho e mão, pé e tornozelo, incluindo o "esqui cross country" (movimentos de flexão e extensão dos membros inferiores para a frente, deslizando como nesse esporte), associada à utilização de flutuadores, "bicicleta" com auxílio de flutuador e exercícios de propriocepção para membros inferiores (oscilação de peso em apoio uni e bipodálico) e superiores (submersão de objetos freando seu retorno à superfície) com auxílio de flutuadores, entre outros; alongamento - geral e específico para as articulações periféricas - e relaxamento, como flutuação associada à respiração diafragmática, ocupava os 10 minutos finais da sessão11.

Análise estatística

As médias e desvios padrões foram calculados para os escores obtidos nos domínios do SF-36 e para os valores obtidos pelas EVAs de rigidez, dor e sono, antes e após o protocolo de hidroterapia. O teste t de Student não-pareado (para o SF-36) e pareado (para as EVAs) foi aplicado aos dados obtidos antes e após o tratamento, para verificar diferenças significativas, considerando-se significante se p<0,05.

 

RESULTADOS

Ao término do tratamento foi verificada melhora significativa nos domínios capacidade funcional (p=0,004), dor (p=0,022), vitalidade (p=0,015), estado geral de saúde (p=0,027) e saúde mental (p=0,05) (Gráfico 1), além de uma tendência a melhores escores em todos os domínios do SF-36.

Além disso, foi possível verificar uma redução significativa da rigidez matinal (p=0,003) e dor (p=0,004) e melhora significativa na qualidade do sono (p=0,006) das voluntárias após o tratamento (Gráfico 2).

 

 

DISCUSSÃO

Há atualmente grande preocupação em determinar possibilidades de tratamento que possam auxiliar portadores de doenças inflamatórias crônicas como a AR. Também é crescente a preocupação em determinar a eficácia dos tratamentos propostos. A utilização de questionários como o SF-36 tem sido intensificada na pesquisa científica nos últimos anos em decorrência do interesse em métodos subjetivos de avaliação clínica que valorizam a opinião do paciente sobre sua condição de saúde26.

Estudos mostraram que programas de treinamento físico trazem benefícios a pacientes com AR, como o aumento da força muscular e capacidade aeróbica, redução da dor e inflamação, e incremento na função, refletindo-se diretamente na qualidade de vida e na realização das atividades diárias dos sujeitos5,8,13. O intuito do presente estudo foi avaliar o efeito de um tratamento hidroterapêutico na qualidade de vida e sintomatologia de portadores de artrite reumatóide por meio do Questionário SF-36 e de EVAs para rigidez, dor e qualidade do sono.

Os escores do SF-36 obtidos ao término do tratamento aquático proposto foram significantemente maiores para os domínios capacidade funcional, dor, estado geral de saúde, vitalidade e saúde mental, indicando melhora na qualidade de vida após a terapia proposta. Nos demais domínios, houve uma tendência à melhora, porém não significante. Isso aponta para o fato de que o exercício regular, além do incremento na condição física e no bem-estar, também influencia fatores emocionais e sociais, uma vez que foi verificada influência direta nos domínios que avaliam esses aspectos8.

Antes da realização do tratamento aquático, os escores obtidos nos domínios do SF-36 capacidade funcional, aspecto físico, dor, estado geral de saúde e vitalidade foram maiores que os encontrados por Talamo27 em mulheres portadoras de AR. Isso significa que as voluntárias do presente estudo apresentavam qualidade de vida relacionada à saúde melhor que as estudadas por esse autor. Wiles28 e Roux29, que avaliaram por meio desse mesmo questionário pacientes com AR, porém sem distinguir sexo, encontraram valores diferentes: Roux29 evidenciou valores superiores aos de Wiles28 e aos encontrados no presente estudo na maioria dos domínios. Isso pode ter ocorrido em função da heterogeneidade da amostra quanto à distinção entre sexos. Essa interferência pôde ser também evidenciada no estudo de Talamo27 que encontrou escores maiores em seis dos oito domínios no sexo masculino em comparação com o sexo feminino, especialmente nos domínios dos aspectos sociais, emocionais e na saúde mental. Assim, um ponto importante a ser ressaltado é o fato de alguns estudos utilizarem amostras de pacientes sem fazer distinção de sexo, o que pode interferir e dificultar a comparação de dados da literatura e dados encontrados em novos estudos.

A avaliação da rigidez matinal, dor e qualidade do sono antes e após o tratamento permitiu verificar uma melhora em todos esses aspectos. Com relação à rigidez e dor, verificou-se que antes do tratamento o grau médio obtido foi "moderado a forte" e, ao término do tratamento, "fraco a moderado". Quanto à qualidade do sono, também foi possível verificar melhora, pois antes do tratamento o grau obtido ficou entre "sono interrompido, acorda algumas vezes durante a noite" e "sono interrompido, acorda várias vezes durante a noite" e, após o tratamento, passou a ser "sono interrompido, acorda algumas vezes durante a noite". Isso sugere fortemente que a terapia aquática, por seus efeitos fisiológicos e físicos, que induzem respostas como melhora do condicionamento físico, relaxamento muscular, redução de sobrecarga articular entre outras, é uma ferramenta útil para reduzir a dor e rigidez, além de propiciar melhora na qualidade do sono em pacientes portadoras de AR30,31. Esses achados foram similares aos encontrados por Santoni et al.30, que utilizaram o tratamento aquático para um portador de artrite reumatóide juvenil.

Um dos fatores que pode ter contribuído para a melhora da sintomatologia das voluntárias foi o estabelecimento da prática regular de atividade física, especialmente por esta ser realizada em piscina terapêutica. A água torna algumas atividades mais prazerosas pela redução de descarga de peso, relaxamento muscular pelo aumento do fluxo sanguíneo e liberação de endorfinas11,31,32. Em concordância com esses fatores, foi constatada, pelo SF-36, melhora significativa no domínio saúde mental após o tratamento.

 

CONCLUSÃO

Com base nos resultados obtidos, pode-se afirmar que o protocolo de tratamento aquático utilizado neste estudo foi eficaz em promover a melhora na qualidade de vida relacionada à saúde, além de propiciar redução de dor e rigidez matinal e melhora do sono em portadoras de artrite reumatóide.

 

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Luis Roberto Fernandes FerreiraI; Paulo Roberto PestanaI; Jussara de OliveiraII; Raquel Agnelli Mesquita-FerrariIII

IFisioterapeutas
IIProfa. Ms. do Curso de Fisioterapia da Uniara
IIIProfa. Dra. do Programa de Mestrado em Ciências da Reabilitação da Universidade Nove de Julho, São Paulo, SP, Brasil

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