A hemofilia é um grave distúrbio hereditário de coagulação sangüínea que provoca comprometimentos musculoesqueléticos como limitações d...

Hidroterapia x artrite hemofílica: revisão bibliográfica

    A hemofilia é um grave distúrbio hereditário de coagulação sangüínea que provoca comprometimentos musculoesqueléticos como limitações de movimentos articulares, hemartrose, hemorragias tissulares, aderências articulares fibróticas, alterações de marcha, assimetria de forças musculares, contraturas e artrite hemofílica; afetando assim, a vida dos indivíduos hemofílicos (SAY, 2003).

    Não há uma incidência verdadeira conhecida, porém estima-se que nos EUA aproximadamente, 8 a 11 em 100.000 da população sejam portadores de hemofilia (RODRÍGUEZ-MERCHÁN, 1997), a maioria no sexo masculino. No Brasil, também não há uma estimativa abrangente sobre a verdadeira incidência da hemofilia, mas sabe-se que há numerosos casos nos serviços públicos e é necessário especializar o acompanhamento fisioterapêutico a esse tipo de paciente (SAY, 2003).

    A protelação e/ou um tratamento inadequado podem gerar uma série de alterações patológicas dentro da articulação, levando a artropatia dolorosa (RIBBANS; GIANGRANDE; BEETON, 1997). Sem a intervenção médica através da reposição dos fatores de coagulação e o acompanhamento fisioterapêutico preventivo, com a finalidade de se evitar incapacidade funcional e proporcionar melhor qualidade de vida para esses indivíduos, torna-se muito difícil evitar as complicações músculo-esqueléticas dessa moléstia que inclui limitações de movimentos articulares, hemartrose, hemorragias tissulares, aderências articulares fibróticas, alterações de marcha, assimetria de forças musculares, contraturas e artrite hemofílica; alterando a vida dos indivíduos hemofílicos (RIBBANS; GIANGRANDE; BEETON, 1997). As hemartroses e os sangramentos musculares são as manifestações hemorrágicas mais comuns e mais de­bilitantes nos hemofílicos, que acometem principalmente as articulações dos joelhos, cotovelos, tornozelos, ombro, coxo-femorais e punhos (ZAGO et al., 2001).

    São poucos os trabalhos na literatura que relatam a atuação do fisioterapeuta em portadores de hemofilia no âmbito da prevenção e tratamento das complicações músculoesqueléticas decorrentes das hemorragias (MELO, 2010). O tratamento fisioterapêutico nos pacientes com hemofília trata-se de um assunto pouco discutido dentre os campos de atuação profissional do fisioterapeuta. Foram encontrados estudos internacionais que relatam os benefícios da fisioterapia na melhora dos sintomas dos pacientes hemofílicos, mas a fisioterapia no contexto nacional ainda é uma ciência nova e precisa ser explorada e pesquisada (MELO, 2010). Segundo Prentice (2003), um dos recursos utilizados pela fisioterapia para diminuir os níveis de dor é a hidroterapia, pois reduz as forças de compressão articular e promove o relaxamento muscular. É ainda um meio favorável para realizar o fortalecimento muscular, condicionamento físico, além de promover o movimento total da articulação acometida (PRENTICE; VOIGHT, 2003).

    Devido aos argumentos acima citados, este trabalho tem como objetivo fazer uma reunião de citações bibliográficas sobre a atuação da hidrocinesioterapia nos pacientes com artrite hemofílica, a fim de obter maior fonte de comprovações científicas sobre este assunto para auxiliar os profissionais de fisioterapia na decisão do tratamento a ser utilizado.

Metodologia

    O presente estudo é uma reunião de artigos científicos, em forma de revisão bibliográfica, sobre a atuação da hidrocinesioterapia nos pacientes com diagnóstico de artrite hemofílica. Foram utilizados os bancos de dados: Bireme, Scielo, Lilacs, Pubmed, livros e ainda o banco de teses e dissertações da Universidade do Mato Grosso. Como palavras-chave utilizou-se: artrite, hemofilia e hidroterapia. Ainda, restringiu-se às pesquisas escritas em língua portuguesa, inglesa ou espanhola, entre os anos de 1985 a 2011. Para organização estrutural do texto, os dados foram divididos em tópicos: Hemofilia, características clínicas X tratamento e hidroterapia.

    Neste estudo, fez-se uma reunião sobre os principais conceitos encontrados na literatura, bem como vantagens e desvantagens do uso desta técnica como tratamento. Na literatura pesquisada, não foi encontrado nenhum estudo que avaliasse quantitativamente a efetividade da hidroterapia nos pacientes portadores de artrite hemofílica.


Desenvolvimento


1.     Hemofília

    A hemofilia é um grave distúrbio hereditário de coagulação sangüínea que provoca comprometimentos musculoesqueléticos como limitações de movimentos articulares, hemartrose, hemorragias tissulares, aderências articulares fibróticas, alterações de marcha, assimetria de forças musculares, contraturas e artrite hemofílica; afetando assim, a vida dos indivíduos hemofílicos (SAY, 2003). É uma doença hemorrágica congênita (hereditária) caracterizada pela deficiência de uma proteína plasmática (fator) da coagulação. Na hemofilia A ocorre deficiência do fator VIII (FVIII) e na hemofilia B do fator IX (FIX). Consequentemente ocorre uma redução da formação de trombina, fator essencial para a coagulação do sangue. Em ambos os tipos de hemofilia as características de hereditariedade, quadro clínico e classificação são semelhantes (OLIVEIRA et al, 2009). As hemofilias A e B constituem as coagulopatias hereditárias mais freqüentes no mundo, apresentando-se em 1:10.000 homens (OSÓRIO, ROBINSON, 2002).
    A incidência da hemofilia varia conforme o país, embora, em termos gerais, a tipo A seja encontrada em 1 a cada 5.000 homens e a tipo B, em 1 a cada 30.000 homens (STONEBRAKER, 2010). Segundo Oliveira (2009) a prevalência das hemofilias A e B nos diversos grupos étnicos é de aproximadamente 1:10.000 e 1:40.000 a 50.000 nascimentos masculinos, respectivamente. No Brasil, também não há uma estimativa abrangente sobre a verdadeira incidência da hemofilia, mas sabe-se que há numerosos casos nos serviços públicos e é necessário especializar o acompanhamento fisioterapêutico a esse tipo de paciente (SAY, 2003).
    As hemofilias, independente de serem do tipo A ou B, podem ser classificadas quanto ao seu nível de deficiência dos respectivos fatores de coagulação em nível leve, moderado e severo (MARINHO, 1985; LORENZI,1992; RODRÍGUEZ-MERCHÁN, 1997). Em geral, os membros de uma família de hemofílicos têm sempre o mesmo tipo de hemofilia e com gravidade semelhante. Na hemofilia do nível grave, o nível fator VIII ou IX é menor que 1% do normal, com o tempo de coagulação em torno de 60 minutos e os sintomas hemorrágicos graves, muitas vezes espontâneos e incapacitantes (LORENZI, 1992; RODRÍGUEZ-MERCHÁN, 1997). Pacientes com hemofilia severa que não estão recebendo um tratamento específico muitas vezes sofrem hemorragias espontâneas, sem trauma aparente (QUEROL, 2011). Para aqueles com a forma moderada as hemorragias são normalmente relacionadas a trauma ou esforço excessivo durante a atividade física (QUEROL, 2011). Para Santos (2007) a hemofilia grave e moderada são as que mais causam deformidades e limitações às condições de vida do doente, levando por vezes, a incapacidades perma­nentes e seqüelas irreversíveis que influenciam no modo de vida da pessoa.

2.     Características clínicas X tratamento multidisciplinar

    A protelação e/ou um tratamento inadequado podem gerar uma série de alterações patológicas dentro da articulação, levando a artropatia dolorosa (RIBBANS; GIANGRANDE; BEETON, 1997). Sem a intervenção médica através da reposição dos fatores de coagulação e o acompanhamento fisioterapêutico preventivo, com a finalidade de se evitar incapacidade funcional e proporcionar melhor qualidade de vida para esses indivíduos, torna-se muito difícil evitar as complicações músculo-esqueléticas dessa moléstia que inclui limitações de movimentos articulares, hemartrose, hemorragias tissulares, aderências articulares fibróticas, alterações de marcha, assimetria de forças musculares, contraturas e artrite hemofílica; alterando a vida dos indivíduos hemofílicos. As hemartroses agudas são os tipos mais freqüentes de derrame no paciente com hemofilia. (RIBBANS; GIANGRANDE; BEETON, 1997).
    Além do comprometimento articular, a hemofilia determina ainda seqüelas musculares. Traumas mínimos podem resultar em grandes hematomas intramusculares (EILERT et al., 1993), que levam a grupos musculares tensos ou dolorosos desencadeando possíveis compressões de nervos periféricos (MARIE GAL; NAGATA, 1985). Embora a hemofilia não represente um risco de vida estatisticamente significativo, ela é considerada uma doença grave devido às complicações músculo-articulares já citadas (MARIE GAL & NAGATA; 1985).
    Em 1892, Konig (apud BUZZARD, 1997) estabeleceu a relação entre hemofilia e hemartrose. E apesar do envolvimento do aparelho locomotor não apresentar risco de vida ao indivíduo, as seqüelas podem ser muito incapacitantes para a vida do hemofílico. A porcentagem das articulações acometidas é de 44% joelho, 25% cotovelo, 14% tornozelo, 8% ombro, 5% quadril e os 4% restantes incluem pequenas articulações do corpo. O joelho é a articulação mais envolvida, isto se deve ao maior suporte de carga ou solicitação dessa articulação, que leva a um derrame sangüíneo que irá distender e pressionar a cápsula articular, causando dor e uma resposta inflamatória da membrana sinovial, além da adoção de uma postura antálgica com espasmo muscular associado. As reincidências da hemartrose determinarão a cronicidade desse quadro, com espessamento sinovial, fibrose dos tecidos, destruição e remodelação progressiva da cartilagem e dos ossos, associada à instabilidade osteoligamentar que irá favorecer a ocorrência de luxações, subluxações e calcificação de tecidos moles. Após os 30 anos de idade, 90% das articulações do joelho em pacientes hemofílicos apresentam destruição severa (EICKHOFF et al, 1997).
    A hemorragia do aparelho locomotor (articulações, músculos e subcutâneo) tem como principal característica a reincidência, principalmente nas articulações (WIBELINGER, 2009). As hemartroses e os sangramentos musculares são as manifestações hemorrágicas mais comuns e mais de­bilitantes nos hemofílicos, que acometem principalmente as articulações dos joelhos, cotovelos, tornozelos, ombro, coxo-femorais e punhos (ZAGO et al., 2001). É caracterizada por sensação de calor e formiga­mento nas primeiras duas horas, posteriormente, há leve desconforto e restrição de movimento, seguida de horas de dor, aumento de volume e de temperatura e limitação da mobilidade articular. Após tratamento adequado, há melhora da dor e diminuição da sensação de pressão intra-articular (CARAPEBA, 2006). O estágio final da hemartrose é a artropatia hemofíli­ca crônica, que é caracterizada por perda da movimentação articular devido às contraturas fixas em flexão e intensa atro­fia muscular, secundária ao desuso; além de deformidades da extremidade afetada (VILLAÇA et al., 2001).
    A hemartrose é quando ocorre hemorragia dentro da articulação, o que provoca sinovite, com hipertrofia da membrana devido à reabsorção do sangue e a absorção do segmento ferroso. A sinóvia transforma-se em pannus e invade a cartilagem articular, que então começa a degenerar, e ocorre uma fibrilação semelhante à da osteoartrite. Quando existe recidiva, o osso subcondral torna-se osteoporótico e ocorre o desenvolvimento de cistos ósseos, que podem acabar provocando o colapso da articulação. A hemartrose é o elemento clínico mais característico da hemofilia. Esses derrames articulares são sempre provocados por microtraumas e são mais freqüentemente notados nas grandes articulações, apenas nos casos mais graves da doença ocorrem hemorragias espontâneas (WIBELINGER, 2009).
    As lesões articulares podem evoluir na hemofilia desde uma osteoporose e irregularidade de superfície óssea até uma fase mais adiantada que pode determinar uma destruição articular com comprometimento grave para o paciente (MARINHO, 1985, LORENZI, 1992). A osteoporose desenvolve-se como resultado do desuso e imobilização articular (RODRÍGUEZ-MERCHÁN, 1997). A sinóvia anormal atuará de maneira similar a uma fístula artério-venosa, produzindo um excessivo suporte sangüíneo para a área das placas epifisárias, estimulando as placas de crescimento (RODRÍGUEZ-MERCHÁN, 1997).
    Para Wibelinger (2009), a hemartrose pode ser classificada em aguda, subaguda e crônica. Na hemartrose aguda ocorre tumefação, calor e dor. A dor é persistente e exacerbada ao repouso e ao movimento. Na subaguda é determinada pelo controle, gravidade e freqüência das hemorragias. Já na fase crônica ocorre espessamento da sinóvia e degeneração articular que inclui também fibrose intra-articular e destruição generalizada, levando a rigidez e atrofia muscular.
    As repetidas hemartroses e imobilizações no hemofílico levam rapidamente a atrofias musculares importantes. Os músculos, diretamente ou por intermédio dos tendões, representam proteção para a articulação. A hemorragia muscular é a segunda maior complicação dessa moléstia, ocorrendo geralmente no compartimento anterior do antebraço, panturrilha e ilío-psoas. Pode ser observado dor, aumento de volume e a incapacidade funcional que coloca as articulações movidas por esses músculos em posição de proteção (SAY, 2003). As hemartroses de repetição, quando não tratadas, estão associadas à degeneração articular, chamadas de artropatia hemofílica, tendo como conseqüência dor, deformidades articulares e impotência funcional grave (OLIVEIRA, 2009).
    Os primeiros achados clínicos indicativos de evolução da artropatia crônica são a hipotrofia muscular e a perda da mobilidade articular que se manifestam antes mesmo que apareça a dor mecânica e a deformidade articular. Nos joelhos e cotovelos observa-se uma limitação da extensão completa. Nos joelhos, quando surgem os sinais radiográficos da artropatia, é possível observar contratura em flexão irredutível. As deformidades axiais são comuns; nos joelhos pode aparecer atitude em valgo e rotação externa. A função articular dos tornozelos mantém-se mais preservada, apesar da perda da mobilidade. A dor é um sintoma importante da artropatia hemofílica crônica. Tem origem mecânica e no início responde bem aos antiinflamatórios e analgésicos, ao contrário da hemorragia aguda, que responde à reposição com concentrado de fator deficiente. Como fator estabilizador da articulação é fundamental a manutenção da força muscular, a fim de que não se estabeleça o ciclo vicioso: hemorragia repouso atrofia muscular instabilidade articular nova hemorragia (OLIVEIRA, 2009).
    O tratamento básico de um hemofílico consiste na reposição do fator deficiente, e este deve estar em concentração adequada para manutenção da hemostasia corporal. A dosagem do fator depende da gravidade, do tipo de hemofilia, do peso corporal e da sintomatologia (HEMOMINAS, 1995). O paciente necessita de acompanhamento multiprofissional e interdisciplinar, composto pelo médico, psicólogo, enfermeiro, odontólogo, fisioterapeuta e assistente social. Segundo Wibelinger (2009), a participação de profissionais, como enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, odontólogos, terapeutas ocupacionais além de hematologistas, fisiatras, fisioterapeutas e ortopedistas é muito importante para o tratamento destes pacientes. O tratamento fisioterapêutico é indispensável, pois os hemofílicos apresentam comprometimentos no sistema musculoesquelético, como a limitação de movimentos articulares, a hemartrose, as hemorragias tissulares, as aderências articulares fibróticas, as alterações de marcha, a assimetria de força muscular, a contratura e a artrite hemofílica, dentre outras (HEMOMINAS, 1995).
    O tratamento conservador com base na reposição de fatores de coagulação é o mais utilizado, apesar de não representar a cura para o indivíduo hemofílico, possibilita o controle de episódios hemorrágicos. Sobretudo, progresso significante tem sido feito recentemente na terapia genética para a hemofilia (VANDENDRIESSCHE; COLLEN; CHUAH, 2001). O tratamento dos pacientes com Hemofilia tem como finalidade o controle da dor, prevenção de deformidades, a prevenção de complicações respiratórias ou vasculares no paciente acamado, a recuperação da capacidade funcional de um músculo ou de uma articulação, a manutenção de um equilíbrio estático e dinâmico do sistema músculo-esquelético, o estímulo à participação da família e a reintegração do indivíduo no seu meio social e profissional (MUNHOZ, 2005).
    São poucos os trabalhos na literatura que relatam a atuação do fisioterapeuta em portadores de hemofilia no âmbito da prevenção e tratamento das complicações músculoesqueléticas decorrentes das hemorragias (MELO, 2010). O tratamento fisioterapêutico nos pacientes com hemofília trata-se de um assunto pouco discutido dentre os campos de atuação profissional do fisioterapeuta. Foram encontrados estudos internacionais que relatam os benefícios da fisioterapia na melhora dos sintomas dos pacientes hemofílicos, mas a fisioterapia no contexto nacional ainda é uma ciência nova e precisa ser explorada e pesquisada (MELO, 2010). Através dos cuidados gerais e da fisioterapia podemos ter como resultante a manutenção da mobilidade nas articulações, os músculos fortes e flexíveis, com os recursos de cinesioterapia (exercícios), correção postural, hidroterapia, entre outros, prevenindo as hemorragias intra-articulares, apontadas como maior problema dos portadores desta patologia. Com o auxílio do acompanhamento fisioterápico, todas as pessoas portadoras da hemofilia podem ser capazes de continuar com suas atividades diárias normais em casa, na escola e no trabalho (RODRIGUES, 2007).
    O manejo terapêutico do hemofílico representa uma situação especial para o fisioterapeuta. Tendo em vista a literatura consultada, podemos constatar que a maioria das alterações que ocorrem em pessoas com hemofilia pode ser evitada. Através dos cuidados gerais e da fisioterapia podemos ter como resultante a manutenção da mobilidade nas articulações, os músculos fortes e flexíveis, com os recursos de cinesioterapia (exercícios), correção postural, hidroterapia, entre outros, prevenindo as hemorragias intra-articulares, apontadas como maior problema dos portadores desta patologia. Com o auxílio do acompanhamento fisioterápico, todas as pessoas portadoras da hemofilia podem ser capazes de continuar com suas atividades diárias normais em casa, na escola e no trabalho (RODRIGUES, 2007).

3.     Hidroterapia

    Tendo em vista a escassez de publicações com estudos envolvendo técnicas de terapia fisioterapêutica, não foram encontrados na literatura estudos sobre os efeitos da hidroterapia em pacientes portadores de artrite hemofílica, portanto serão abordadas neste estudo, publicações sobre os efeitos fisiológicos da hidroterapia.
    Um dos recursos para diminuir os níveis de dor é a hidroterapia, que reduz as forças de compressão articular e promove o relaxamento muscular. É ainda um meio favorável para realizar o fortalecimento muscular, condicionamento físico, além de promover o movimento total da articulação acometida (PRENTICE; VOIGHT, 2003).
    A hidroterapia é um recurso fisioterapêutico que utiliza os efeitos físicos, fisiológicos e cinesiológicos advindos da imersão do corpo em piscina aquecida como recurso auxiliar da reabilitação ou prevenção de alterações funcionais. As propriedades físicas e o aquecimento da água desempenham um papel importante na melhoria e na manutenção da amplitude de movimento das articulações, na redução da tensão muscular e no relaxamento (CAROMANO FA, 2001).
    A diminuição do impacto articular, durante atividades físicas, induzida pela flutuação, causa redução da sensibilidade à dor, diminuição da compressão nas articulações doloridas, maior liberdade de movimento e diminuição do espasmo doloroso. O efeito de flutuação auxilia o movimento das articulações rígidas em amplitudes maiores com um aumento mínimo de dor (RUOTI RG, TROUP JT, BERGER RA, 1994).
    A dor nas articulações afetadas conduz à tensão e ao espasmo em certos grupos musculares que atuam sobre elas direta ou indiretamente. Na piscina, o calor da água que circunda a articulação alivia a dor e relaxa a musculatura periarticular. A flutuação também proporciona a diminuição da tensão sobre articulações. A limitação da movimentação, assim como a rigidez articular são reduzidas devido ao alívio da dor e a sustentação das articulações pela flutuação, durante a movimentação (SKINNER, A. T. E THOMSON, A. M, 1985).
    A fisioterapia aquática oferece uma gama de benefícios e resultados adicionais aos fornecidos pelos exercícios e técnicas terrestres, tanto a curto quanto a longo prazo. Por combinar componentes e vantagens de numerosas teorias e técnicas de exercícios, vem sendo amplamente utilizada no meio médico. A expansão e aceitação dessa técnica de reabilitação resultam da resposta positiva dos pacientes e da alta taxa de sucesso quanto a resultados e, às vezes, o único meio que permite a movimentação do paciente com doença reumática (BIASOLI MC, MACHADO CMC, 2006).
Normalmente, a equipe médica avalia o paciente e estabelece programas e diretrizes com procedimentos variados para acomodar as necessidades individuais e modificar as rotinas estruturadas do paciente. O médico realiza uma avaliação física e encaminha para o fisioterapeuta que irá completar esta avaliação e projetar um programa de exercícios que se adeque às necessidades individuais e, ao mesmo tempo, monitorar a cada sessão os níveis de fadiga e dor, entusiasmo, motivação e ganhos funcionais do paciente. Reavaliações são realizadas periodicamente para determinar e graduar o nível de recuperação e traçar novos objetivos para evoluir as habilidades do meio aquático para o uso de tais habilidades também ao sol (BIASOLI MC, MACHADO CMC, 2006).

Considerações finais

    Ao final deste estudo, destaca-se a relevância da realização de um estudo de revisão bibliográfica, pois este permite uma consistente, porém breve reflexão em relação a produção científica já publicada, em determinada época sobre um tema específico. Entretanto, ao reunir as publicações sobre artrite hemofílica, percebe-se que a gama de estudos vem crescendo ao longo dos anos, porém ainda é pequena, principalmente em relação as opções de tratamento desta patologia, que auxiliam o profissional no momento de traçar sua estratégia para a reabilitação do indivíduo acometido por esta afecção.


Referências bibliográficas

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Segundo Serra, Petit e Carril (2001), a artrose ou osteoartrose refere-se ao processo degenerativo que acomete as articulações. As a...

Efeitos da hidrocinesioterapia na dor em indivíduos com osteoartrose

Segundo Serra, Petit e Carril (2001), a artrose ou osteoartrose refere-se ao processo degenerativo que acomete as articulações. As alterações começam na cartilagem articular, que sofre um processo de reamolecimento e deterioração, chegando inclusive a desaparecer em fases avançadas. O osso subcondral também sofre mudanças que se traduzem em um aumento de densidade ou esclerose e na formação ocasional de cistos ou partes ocas. Nas margens articulares aparecem prolongações ósseas do osso subcondral, de forma irregular e tamanho variável, denominada osteófitos, que constituem o sinal mais característico da artrose.

O paciente com artrose padecerá sempre com dor, em maior ou menor grau; sofrerá também uma limitação funcional, que poderá ser discreta ou invalidante, ainda que, hoje em dia, graças à evolução dos tratamentos (especialmente da cirurgia), o paciente artrótico raramente se veja convertido em um inválido, ainda que tenha dificuldades para realizar as atividades da vida diária, e, finalmente é consciente de que a doença durará toda a vida (SERRA, PETIT e CARRIL, 2001).

Segundo Yoshinari e Bonfá (2000), a maior parte dos estudos epidemiológicos da osteoartrose baseia-se em avaliações radiográficas. A prevalência da osteoartrose radiográfica se eleva progressivamente em todas as articulações, 52% da população adulta apresentam sinais radiográficos da osteoartrose de joelhos e, desses, 20% com quadro moderado ou severo. Aos 40 anos de 10 a 20% das mulheres mostram a osteoartrose avançada nas mãos e nos pés e, entre aos 60 e 70 anos, 75% têm osteoartrose nas articulações interfalangeanas distais. Entre os indivíduos na faixa entre 55 e 64 anos, 85% exibem algum grau de osteoartrose em uma ou mais articulações e, acima dos 85 anos, a prevalência da doença alcança cem por cento.

A osteoartrose de mãos e joelhos é de 1,5 a 4 vezes mais freqüente nas mulheres; a osteoartrose de quadril é menos prevalente, com discreta predominância no homem. No Brasil, dados obtidos junto ao Instituto Nacional de Previdência Social mostraram que, em 1974, as doenças osteoarticulares foram responsáveis por 10,6% das faltas ao trabalho (ocupando o terceiro lugar das causas de incapacidade, após as doenças mentais e as cardiovasculares). A osteoartrose foi, portanto, o motivo do impedimento laborativo em 7,8% dos casos (YOSHINARI; BONFÁ, 2000).

É de etiologia desconhecida, embora se acredite que haja um componente genético, ou podendo surgir através de traumatismos, micro-traumas de repetição, sobrecarga, hiperfrouxidão ligamentar e anomalias congênitas (SERRA, PETIT e CARRIL, 2001).

Salter (1985), relata que o sintoma predominante é a dor que surge do osso, assim como da membrana sinovial e da cápsula fibrosa. A dor, a princípio sutil e mais tarde intensa, é intermitente. Agravada pelo movimento articular ("efeito de fricção"), se alivia com o repouso. Eventualmente, porém, o paciente pode inclusive apresentar "dor em repouso", provavelmente relacionada com a hiperemia do osso subcondral.

O paciente se torna consciente de que seus movimentos articulares já não são uniformes e que estão associados a vários tipos de crepitação articular, tais como rangidos, chiados e estalos. A articulação tende a se tornar rígida após certo período de repouso, fenômeno denominado gelitificação articular. A articulação comprometida perde cada vez mais o movimento, de forma gradual; eventualmente pode tornar-se tão rígida que a dor (associada a movimento) diminui (SALTER, 1985).

No exame físico, a articulação comprometida mostra-se dolorosa à palpação e mobilização. Os sinais inflamatórios habitualmente são brandos, quase sempre não passando de um discreto edema. Em alguns casos, há derrame articular. Osteófitos podem ser identificados quando proeminentes, como um alargamento ou uma protuberância na interlinha articular de consistência rígida (YOSHINARI; BONFÁ, 2000).

A musculatura correspondente à articulação pode estar hipotrofiada. A amplitude do movimento articular pode ficar reduzida. As ocorrências de evolução mais grave mostram perda completa de movimento, deterioração da função articular e até anquilose. Deformidade, falta de alinhamento e instabilidades articulares podem acontecer (YOSHINARI; BONFÁ, 2000).

Borg (2000), conceitua a dor como um termo antiqüíssimo e bem estabelecido. Os dicionários fornecem definições constitucionais basicamente do mesmo tipo ou contexto na maioria das línguas. "Dor: Oposto de prazer; a sensação que o indivíduo percebe ao ferir-se (no corpo e na mente); sofrimento, angústia. Sofrimento físico; uma sensação angustiante, como a causada por uma contusão (habitualmente em determinada parte do corpo). Sofrimento mental; confusão, abatimento, tristeza". "Uma sensação desagradável, ocorrendo em graus variáveis de intensidade, em conseqüência de uma lesão, moléstia ou distúrbio emocional".

Guyton (2002), relata que os receptores da dor na pele e nos tecidos são terminações nervosas livres ou células intimamente conectadas a elas. Elas se encontram em toda parte nas camadas superficiais da pele e, também, em certos tecidos internos, tais como: periósteo, nas paredes das artérias e nas superfícies articulares.

Calliet (1999), relata que a dor pode ter origem única (articular, muscular, visceral) ou múltipla, se resulta de um único comprometimento de duas ou mais estruturas anatômicas distintas.

As raízes nervosas destinadas às articulações são formadas por fibras simpáticas e sensoriais provenientes de numerosos segmentos espinhais e se distribuem amplamente nos ligamentos, na cápsula articular e na membrana sinovial, enquanto a cartilagem articular carece de terminações nervosas. As fibras sensoriais maiores formam terminações proprioceptivas muito sensíveis à posição e ao movimento. As fibras sensoriais menores formam terminações sensíveis à dor na cápsula articular, nos ligamentos e na camada adventícia dos vasos sangüíneos (CALLIET, 1999).

As terminações nervosas são particularmente sensíveis à torção e à tração destas estruturas. A membrana sinovial, pelo contrário, é relativamente insensível aos estímulos dolorosos. A dor que se origina na cápsula articular ou na membrana sinovial tende a ser difusa e discretamente localizada (CALLIET, 1999).

Ainda Calliet (1999), relata que a dor articular pode ser conseqüência de um processo inflamatório ou degenerativo, que pode determinar alterações circulatórias locais com isquemia, que representa a causa mais freqüente de dor neurogênica.

As causas de dor articular não são ainda totalmente conhecidas. Nos últimos anos, aumentou o interesse por algumas substâncias (5 - hidroxitriptamina ou serotonina, bradicinina, prostaglandinas), que seriam capazes de modificar a sensibilidade das terminações nervosas pela qual estas últimas reagiriam a pequenos estímulos provocadores de dor (CALLIET, 1999).

Segundo Santos (1996), existem diversos sistemas descendentes que desempenham um papel importante no controle da modificação das vias descendentes de dor. Nociceptores polinodais respondem a estímulos que lesam os tecidos; essa estimulação resulta em impulsos ascendentes nas fibras A-delta (finas, 2 – 4 m, mielinizadas, velocidade de condução = 12 a 30 m/s, bem localizadas) ou C (amielínicas, dor dolente, duradoura e difusa, velocidade de condução = +2m/s) para as camadas marginais do corno dorsal da medula espinhal. Fibras maiores ou mais grossas (12, 14m) são mielinizados, têm limiar de estimulação mais baixo, velocidade de condução bem mais alta; não diferenciam eventos inócuos e nocivos; agem no controle da sensação dolorosa.

As vias responsáveis pela dor, a partir de um estímulo lesional captado por receptores nociceptivos – ligados a fibras nervosas periféricas de pequeno calibre, mielinizadas ou amielínicas -, conduzem o estímulo até o corno dorsal medular, onde fazem sinapses com os neurônios secundários. O estimulo ascendente se distribui através de regiões relativamente especificas da medula e do tronco cerebral, até alcançar o tálamo e as áreas somatossensórias do córtex (SANTOS, 1996).

Santos (1996), explica que esses estímulos são controlados através de sistemas modulatórios endógenos durante sua projeção ao longo das vias de condução. Ao nível medular, o estímulo é inibido em sua retransmissão a partir das células da substância gelatinosa, que fecha o chamado "sistema de comportas", após receber estímulos inócuos conduzidos através das fibras aferentes de grande calibre. Outros sistemas modulatórios promovem liberação de endorfinas (que funcionam como opióides endógenos) através de neurônios à medula ou de projeções ativadas a partir de centros superiores do sistema nervoso central.

As principais vias ascendentes nociceptivas são os tratos espinotalâmicos e espinorreticulares. As vias ascendentes de dor envolvem neurônios oligissinápticos e polissinápticos. As vias oligossinápticas são condutoras rápidas, com discreta organização somatotópica, com transmissão rápida da informação nociceptiva referente ao local, à intensidade e à duração do estímulo; fornecem informações somáticas via núcleos ventrais posteriores do tálamo, até o córtex pós-central. As vias polissinápticas são condutoras lentas, sem organização somatotópicas, com má localização, dor indefinida e sensações de queimação; fornecem respostas reflexas supra-segmentares relacionadas à ventilação, à circulação e à função endócrina (SANTOS, 1996).

Dentro do campo da fisioterapia, o fisioterapeuta utiliza vários recursos para aliviar a dor em indivíduos com osteoartrose, como por exemplo, a termoterapia, eletroterapia, crioterapia, hidroterapia e hidrocinesioterapia.

O termo hidroterapia é derivado do grego hydor – água e therapia – cura (SKINNER; THOMSON, 1985).

A hidrocinesioterapia, de acordo com Mazarini e Bellenzani (1986), é a aplicação da água para fins terapêuticos, utilizando-se das propriedades físicas como agentes da terapia. Skiner e Thomson (1985) relatam que as principais propriedades físicas da água são: densidade e gravidade específicas, pressão hidrostática, empuxo, tensão superficial, viscosidade, metacentro, turbulência, fricção e refração, todas estas propriedades influenciam no tratamento.

Os efeitos terapêuticos incluem o alívio da dor, relaxamento e fortalecimento muscular. Exercícios em piscina aquecida reduzem as chances de microtraumas, pois os movimentos são lentos e há uma falta de forças excêntricas, além disso, as mudanças fisiológicas que são conseqüência da imersão em água aquecida, ajudam a reduzir a dor percebida e aumentam a facilidade no movimento (BATES e HANSON, 1998).

De acordo com Campion (1997), um corpo imerso em água aquecida, sofre estímulos diversos, que desencadeiam efeitos terapêuticos tais como: melhora da capacidade funcional dos músculos e articulações, melhora da coordenação, equilíbrio, postura e dor.

Segundo Ruoti, Morris e Cole (2000), a terapia aquática oferece inúmeros benefícios: melhora da imagem corporal, desenvolvimento da independência, melhora das condições físicas, auto confiança, melhora da auto disciplina e oportunidade para auto expressão e criatividade.

Pretende-se com a presente pesquisa, mediante estudo experimental, verificar os efeitos de um programa de hidrocinesioterapia na dor em pacientes com osteoartrose de joelho.

 


Palavras – chaves: Osteoartrose, Dor, Hidrocinesioterapia.



2. Método

Para a realização do estudo foram utilizados oito sujeitos do sexo feminino. A variável dependente foi apresentada pela dor enquanto a variável independente foi considerada o programa de hidrocinesioterapia.

2.1. Sujeito

Foram sujeitos deste trabalho, oito indivíduos do sexo feminino, com quadro clínico de osteoartrose de joelho e idade de 42 a 67 anos, relatando dor. Foram utilizados como critérios de exclusão dos sujeitos: hidrofobia, lesões cutâneas (feridas mal curadas e escaras) e hipertensão arterial grave e instável (FIORELLI e ARCA, 2002). Sendo também excluídos indivíduos com alterações visuais e cognitivas importantes.

2.2. Materiais e Equipamentos

* Ficha de avaliação (Anexo I)
* Termo de consentimento (Anexo II)
* Piscina terapêutica aquecida com temperatura variando entre 33 à 34ºC.
* Aquatub
* Bóia circular
* Tornozeleiras flutuadoras


2.3. Procedimento

Vale ressaltar que foi solicitado o consentimento do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Sagrado Coração (USC) e o estudo começou somente após a obtenção da sua autorização (Protocolo nº 052/2004).

O desenho experimental compreendeu de quatro etapas distintas e complementares.


Etapa I: Avaliação dos sujeitos

Inicialmente foi realizado um levantamento dos pacientes da lista de espera da Clínica Escola de Fisioterapia da Universidade do Sagrado Coração. Após isto, foram selecionados indivíduos com diagnóstico de osteoartrose de joelho. Em seguida, o agendamento para realização da avaliação. Os pacientes receberam o termo de consentimento e assinaram se concordaram a participar do estudo.

Na avaliação foi realizada inspeção da região do joelho. A classificação da dor foi feita seguindo a escala subjetiva de faces (Fig. 01), onde são mostrados rostos com várias feições e o paciente indica como está se sentindo em relação à dor após o terapeuta relatar o significado de cada rosto apresentado na tabela. Por exemplo:


Fig. 01 Escala subjetiva de faces

Rosto 1: Dor ausente ou sem dor.

Rosto 2: Dor presente, havendo períodos em que é esquecida.

Rosto 3: A dor não é esquecida, mas não impede exercer atividades da vida diária.

Rosto 4: A dor não é esquecida, e atrapalha todas as atividades da vida diária, exceto alimentação e higiene.

Rosto 5: A dor persiste mesmo em repouso, está presente e não pode ser ignorada, sendo o repouso imperativo.



Etapa II: Programa de intervenção

O programa foi realizado na clínica escola da Universidade do Sagrado Coração, em um período de 6 semanas, sendo 2 sessões semanais com duração de sessenta minutos.

Cada sessão foi subdividida em: aquecimento, alongamento e relaxamento. Os exercícios de alongamento foram realizados na região lombo-sacra e membros inferiores, totalizando de trinta minutos. O relaxamento global teve duração de dez minutos.

O aquecimento foi composto por caminhadas (anterior, posterior e lateral) e teve duração de dez minutos.

Os alongamentos tiveram a duração de quarenta minutos e foram realizados nos seguintes grupos musculares: Tríceps Sural, Ísquio Tibiais, Adutores, Quadríceps, Abdutores, Glúteos e Paravertebrais Lombares.


Etapa III: Reavaliação dos sujeitos

As reavaliações foram realizadas na 6ª e 12ª sessões, onde foi utilizada a mesma escala da etapa I.


Etapa IV: Análise dos dados

Para a análise dos dados, foi utilizado o teste não – paramétrico de Friedman, (NOERMAN; STREINER, 1994).



3. Resultados e Discussão

O trabalho apresentou resultados interessantes em relação a dor dos pacientes estudados.

A tabela 1, nos mostra a mediana e semi-amplitude total da escala de face da dor antes, durante e após o programa de hidrocinesioterapia. O resultado das avaliações nos períodos antes/durante e durante/após não apresentaram diferença , porém antes/depois do programa, os dados mostraram evolução estatística significativa (p<0,01).

Tabela 1. Mediana e semi-amplitude total da escala de faces da dor segundo o momento de avaliação.

Momentos de Avaliação Resultado da
fonte estatística
Antes
3+/- 1b
Durante
2+/- 1ab
Após
2+/- 0,5a
10,75 (p<0,01)

Estes dados podem ser explicados devidos alguns fatores.

A imersão em água aquecida interrompe o ciclo da dor, ou melhor, inibe a ação das substâncias geradoras da dor (serotonina, acetilcolina e bradicinina), aumentando a circulação e diminuindo os espasmos musculares (BATES e HASON, 1998).

A pressão hidrostática, associada a viscosidade estimula constantemente as terminações sensitivas do corpo. O bombardeamento do estímulo sensorial é conduzido através de fibras que são mais largas e mais rápidas e tem uma maior condutividade que as fibras da dor. Como resultado, a percepção de dor do paciente fica bloqueada, assim essa redução é uma das maiores vantagens da terapia aquática (BATES e HASON, 1998).

De acordo com Campion (2000), o empuxo alivia o estresse sobre as articulações sustentadoras de peso e permite que se realize movimentos em forças gravitacionais reduzidas; dessa forma, as atividades que não sustentam peso podem ser iniciadas antes mesmo de serem possíveis no solo.

Para Caromano e Ide (2003) apud Junior e Geremias (2003), os movimentos na água são geralmente associados ao objetivo terapêutico, com a normalização de amplitudes de movimento, força e tônus muscular.

O relaxamento integral promove a diminuição da tensão, espasmo muscular e principalmente um desligamento mental ocasionando aumento no limiar da dor (DULL, 1993).

De acordo com Bertolucci (1999) apud Junior e Geremias (2003), o alongamento muscular é capaz de aumentar o número de sarcômeros, adicionando-os em série no ventre muscular. Este aumento, por conseguinte, aumentaria a amplitude de ação do músculo e auxilia na redução da dor.

No estudo realizado por Larini e Pelegrin (2001), onde estudaram os efeitos da hidrocinesioterapia na dor em indivíduos com DORT, duas vezes por semana durante oito semanas, verificaram uma melhora significativa na evolução da dor. Estes dados coincidem com a presente pesquisa.

No estudo realizado por De Vito e Poletti (2002), onde estudaram os efeitos da hidrocinesioterapia na dor em indivíduos com fibromialgia, duas vezes por semana durante oito semanas, verificaram uma melhora significativa na evolução da dor.
Mesmo não sendo o foco principal deste estudo, deve-se levar em consideração que a melhora da dor conseqüentemente vai promover uma melhora na qualidade de vida dos participantes.

Além disso, como foi dito anteriormente, 52% da população apresenta sinais de osteoartrose e a hidrocinesioterapia é um recurso que vai promover uma vida mais saudável para todas essas pessoas.


4. Conclusão

Com os resultados obtidos, pode-se concluir que a aplicação do protocolo de tratamento utilizado neste estudo demonstrou eficiência, pois houve redução significativa da dor relatada no inicio da pesquisa em indivíduos com osteoartrose de joelho.



5. Referências bibliográficas

BATES, A.; HANSON, N. Exercícios aquáticos terapêuticos. São Paulo: Manole, 1998.

BORG, G. Escala de Borg para dor e esforço percebido. São Paulo: Manole, 2000.

CALLIET, R. Dor: Mecanismo e Tratamento. São Paulo: ArtMed, 1999.

CAMPION, M. R. Hidroterapia Princípios e Prática. São Paulo: Manole, 2000.

DE VITO, L.; POLETTI, V. M. A hidrocinesioterapia na síndrome da fibromialgia. 2002, 16p. Trabalho de Conclusão de Curso (Fisioterapia) – Universidade do Sagrado Coração, Bauru.

DULL, H. WATSU: Freeing the Body in Water. Middle-town, Califórnia: Harbin Springs, 1993.

FIORELLI, A.; ARCA, E. A. Hidrocinesioterapia Princípios e técnicas terapêuticas. Bauru: EDUSC; São Paulo: Imprensa Oficial Do Estado, 2002.

GUYTON, A. C.;  HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

JUNIOR, A. S. A.; GEREMIAS, V. C. Efeitos da Hidroterapia na Osteoartrose de Joelho. Fisio Magazine, Londrina, v.1, n.1 , p.12-15, nov.2003/set. 2004.

LARINI, K. C. P.; PELEGRIN, E. A. L. Efeitos da hidrocinesioterapia na dor em indivíduos com distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. 2001. 15p. Trabalho de Conclusão de Curso (Fisioterapia) – Universidade do Sagrado Coração, Bauru.

MAZARINI, C.; BELLENZANI, A. N. Eu Aprendi a Nadar. In: Psicomotricidade Teoria e Prática: Estimulação, Educação e Reeducação Psicomotora com Atividades Aquáticas. São Paulo: Lovise, 1986.

NORMAN, G. R.; STREINER, D. L. Biostatistics- The base essentials. St. Louis: Mosby Year Book, 1994.

SERRA GABRIEL, M. R; PETIT DÍAZ, J.; CARRIL SANDE DE, M.ª L.. Fisioterapia em traumatologia ortopedia e reumatologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.

RUOTI, R. G.; MORRIS, D. M.; COLE, A. J. Reabilitação aquática. São Paulo: Manole, 2000.

SALTER, R. B. Distúrbios e lesões do sistema músculo-esquelético. 2.ed. Rio de Janeiro: Medsi, 1985.

SANTOS, A. C. O exercício físico e o controle da dor na coluna. São Paulo: MEDSI, 1996.

SKINNER, T. A.; THOMSON, A. M. Duffield: exercícios na água. 3.ed. São Paulo: Manole, 1985.

YOSHINARI, N. H.; BONFÁ, E. S. D. O. Reumatologia para o clínico. São Paulo: Roca, 2000.

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Atividades corriqueiras como ler, falar ao telefone, digitar e limpar a casa. Tudo isso, se não for feito de maneira correta, pode prejud...

Evite problemas nas articulações


Evite problemas nas articulações


Atividades corriqueiras como ler, falar ao telefone, digitar e limpar a casa. Tudo isso, se não for feito de maneira correta, pode prejudicar as articulações.

"A longo prazo, a repetição de algumas atividades realizadas de forma errada pode causar sérios problemas articulares", explica Maria Luiza Pereira Gutierrez Biton, diretora do Instituto de Fisioterapia Analítica.

Sabendo dos riscos, Maria Luiza desenvolveu no instituto uma cartilha com 10 orientações práticas para a população prevenir os problemas no dia a dia de forma bem simples. A idéia é que sejam feitas algumas pequenas mudanças nas atividades que praticamos o dia todo. Confira as dicas:

Não realize atividades prolongadas com a cabeça abaixada - ao ler um livro, por exemplo, eleve o livro até a altura dos olhos, apoiando os cotovelos nos braços da poltrona.

Evite atividades que inclinem a cabeça durante o trabalho - ao falar ao telefone, por exemplo, não segure o aparelho com o ombro. Segure-o com a mão ou utilize um equipamento com suporte na cabeça.

No trabalho, evite movimentos repetitivos em rotação da cabeça e/ou do tronco - ao trabalhar no computador, mantenha o monitor de frente para os olhos e numa altura suficiente para que a cabeça fique reta.

Não durma de bruços - a posição ideal para dormir é de lado, com uma almofada entre os joelhos.

Evite travesseiros muito altos ou muito baixos - o travesseiro deve respeitar o espaço entre a cabeça e o ombro, mantendo o alinhamento da cabeça com a coluna.

Evite sentar 'escorregando' na cadeira - a coluna deve estar apoiada por inteiro no encosto da cadeira.

Evite curvar a coluna para pegar um objeto no chão - o correto é dobrar os joelhos e abaixar com a coluna na posição vertical.

Evite cruzar as pernas quando estiver sentado - o ideal é manter as coxas apoiadas na cadeira e os dois pés sempre apoiados no solo.

Evite situações que solicitem flexão prolongada dos joelhos - ao praticar uma atividade de jardinagem, por exemplo, utilize um banquinho baixo, com os pés apoiados no chão e a coluna reta.


Evite atividades prolongadas com o tronco inclinado para frente - ao varrer o chão, por exemplo, use um cabo da vassoura comprido e evite dobrar a coluna para frente. Faça intervalos de descanso.

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Estudos publicados pela University of North Carolina, nos Estados Unidos, comprovam que há um componente genético na osteoartrose. ...

Osteoartrose é hereditária e pode ser prevenida


Osteoartrose é hereditária e pode ser prevenida

Estudos publicados pela University of North Carolina, nos Estados Unidos, comprovam que há um componente genético na osteoartrose.


Por isso, segundo o reumatologista José Goldenberg é fundamental estar atento à história familiar do problema para prevenir podendo minimizar ou retardar a sua evolução. "Hoje em dia, existem produtos que modificam a estrutura da cartilagem denominados condoprotetores, que são capazes de prevenir, estabilizar e reparar o dano", disse Goldenberg.

Fazer exercícios também é essencial. "Há métodos de fisioterapia e Terapia Ocupacional que melhoram a função articular", afirma. "Muitas vezes é mais importante fazer exercícios orientados do que tomar remédio", destaca o reumatologista.

"Exercícios para fortalecimento da musculatura da coxa minimizam o dano causado pela artrose no joelho, por exemplo".

Emagrecer, parar de fumar e mudar o estilo de vida também são atitudes importantes.

Conhecida como artrose (bico de papagaio), é uma doença degenerativa das articulações do corpo e atinge cerca de 70% da população mundial com mais de 70 anos. Porém, ela inicia ao redor dos 20 anos.

A artrose afeta principalmente, coluna cervical e lombar, joelhos, quadris e articulações das mãos, principalmente dos dedos. Ela começa com um leve desconforto ao redor das articulações e cansaço. Posteriormente, aparece dor e, mais tarde, deformidades que podem chegar a limitar a função articular, prejudicando a qualidade de vida.

Segundo Goldenberg, estudos recentes realizados pelo Lund University Hospital, na Suécia, também demonstram que a osteoartrose das mãos está associada com o aumento de freqüência da osteoartrite de joelhos, particularmente em pacientes submetidos à cirurgia de menisco.

É importante estar atento a alguns sinais que podem indicar problemas devido a osteoartrose, tais como:

  • engrossamento e nodulação nas articulações;

  • dores nos joelhos ao subir escadas;

  • dores na virilha;

  • dores nas costas.


  • Se houver algum desses indícios, ou mesmo algum caso na família, é bom atuar sobre a doença com os exercícios orientados, ou mesmo com o uso de medicação, para que ela não cause ou reduza problemas tais como, a incapacidade.

    Terapia Ocupacional ajuda na recuperação


    Uma das formas eficazes de tratamento é a terapia ocupacional, conhecida como TO. Ela tem como objetivo diminuir a dor e orientar o paciente na proteção articular. A terapeuta Adriana Nathaly Klein, da Clínica Reumatológica Goldenberg, afirma que a terapia pode ser fundamental para que o paciente volte à rotina normal.

    "A fisioterapia tem por objetivo reabilitar determinadas partes do corpo, como fazer com que o braço de alguém que teve derrame (Acidente Vascular Cerebral) volte a ter movimentos. Já a terapia ocupacional é um complemento à fisioterapia e serve para reabilitar a função da articulação. Ela faz com que aquele paciente que teve derrame consiga, além de mexer o braço, pentear o seu cabelo, por exemplo", explica a especialista.

    Para o tratamento da artrose, a TO pode ser bastante útil. "Fazemos exercícios variados para cada articulação das mãos, prevenindo as deformidades causadas pela doença e orientando para a proteção articular. A TO fortifica o músculo, não sobrecarregando a articulação e, conseqüentemente, diminuindo a dor", afirma.

    Adriana ainda alerta para os exercícios feitos sem orientação do especialista. "Muita gente chega na clínica apertando aquelas bolinhas de silicone. Elas poderão prejudicar os pacientes portadores das doenças reumatológicas, promovendo o desequilíbrio muscular e a deformidade", disse.

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    Fase de tratamento de inflamação aguda ou crônica: Mesmo se os sintomas forem crônicos ou recorrentes, se houver inflamação a abordage...

    Tratamento de fisioterapia em patologias de ombro

    Fase de tratamento de inflamação aguda ou crônica:
    Mesmo se os sintomas forem crônicos ou recorrentes, se houver inflamação a abordagem inicial de tratamento será colocada-la sob controle.

    • Para controlar a inflamação, promover a cicatrização e alivio de dor deve se usar modalidades fisioterapêuticas como crioterapia, laser, ultra-som, infravermelho e TENS.
    • Para reduzir o trauma repetitivo que cause o problema, é necessária a orientação do paciente e sua cooperação. O ambiente e os hábitos que provocam os sintomas devem ser modificados.
    • Para manter a integridade e mobilidade dos tecidos, inicie a mobilização precocemente

    - Inclua amplitude de movimento passiva, ativo, contrações isométricas. É de particular importância no ombro estimular a função estabilizadora da bainha rotadora, bíceps braquial e músculos escapulares na intensidade tolerado pelo paciente.

    - Para controlar a dor e manter a integridade articular, use exercícios pendulares sem peso para causar separação articular e movimentos oscilatórios que inibem a dor.

    - Durante os exercícios nesse estagio deve-se ter o cuidado de evitar posições que levem a compressão, que são geralmente o meio da amplitude da abdução ou o final da amplitude quando o músculo esta alongado.

    Fase de Tratamento subaguda/ de cicatrização:
    Quando os sintomas agudos estiverem sob controle, a ênfase principal ficara no uso da região envolvida em movimentos progressivos não prejudiciais.

    Cinesioterapia

     


    Para recuperar a ADM, o equilíbrio no comprimento e força muscular da articulação do ombro e cintura escapular deve elaborar um programa que vá ao encontro especificamente das limitações do paciente.
    • Progredir a função do ombro, à medida que o paciente desenvolver força nos músculos enfraquecidos, desenvolver equilíbrio de força em todo o ombro e nos músculos escapulares dentro da amplitude e tolerância de cada músculo.

    Reabilitação durante a fase crônica

    Logo que o paciente tenha desenvolvido controle da postura sem exacerbar os sintomas, inicie treinamento especifico para o resultado funcional desejado.
    • Para aumentar a resistência à fadiga aumentar o numero de series.
    • Realizar fortalecimento muscular.
    • Na orientação do paciente, instrua-o sobre como progredir o programa após a alta e como prevenir recorrências. A prevenção deve incluir:
    - Alongamento e exercícios antes do trabalho
    - Realizar pausas durante a atividade, se for de natureza repetitiva.
    - Manter um bom alinhamento postural.

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