A bursite é a inflamação com dor de uma bolsa (um saco achatado que contém líquido sinovial e que facilita o movimento normal de algumas ...

Bursite: sintomas e tratamentos


A bursite é a inflamação com dor de uma bolsa (um saco achatado que contém líquido sinovial e que facilita o movimento normal de algumas articulações e músculos, reduzindo a fricção).

As bolsas estão localizadas nos pontos de fricção, especialmente onde há tendões ou músculos que passam por cima do osso. Embora uma bolsa geralmente contenha muito pouco líquido, no caso de se lesionar pode inflamar-se e encher-se de líquido.

A bursite pode resultar do uso excessivo de uma articulação de maneira crónica, de feridas, gota, pseudogota, artrite reumatóide ou infecções, mas com frequência, desconhece-se a causa. Embora os ombros sejam os mais propensos à bursite, também se inflamam frequentemente as bolsas dos cotovelos, das ancas, da pélvis, dos joelhos, dos dedos do pé e dos calcanhares.

Sintomas

A bursite causa dor e tende a limitar o movimento, mas os sintomas específicos dependem da localização da bolsa inflamada. Por exemplo, quando se inflama uma bolsa do ombro, aparece dor e dificuldade ao erguer o braço e afastá-lo do lado do corpo (como ao vestir uma peça de roupa com mangas).

A bursite aparece de forma repentina, e a zona inflamada dói quando se move ou se toca. A pele por cima das bolsas localizadas muito perto da superfície (como perto do joelho e do cotovelo) pode tornar-se avermelhada e inflamar-se. A bursite aguda, causada por uma infecção ou pela gota, é particularmente dolorosa e a zona afectada torna-se avermelhada e ao tacto sente-se calor.

A bursite crónica pode ser resultado de ataques anteriores de bursite aguda ou de lesões repetidas. Finalmente, as paredes da bolsa espessam-se e pode depositar-se nelas uma substância anormal com aglomerados de cálcio sólido, com aspecto de gesso. As bolsas com lesões são mais propensas a inflamações quando são submetidas a exercícios ou esforços pouco usuais. A dor e o inchaço prolongados limitam o movimento, causando debilidade motora e atrofia muscular. Os acessos de bursite crónica podem durar de alguns dias a várias semanas, e com frequência são recidivantes.

Dedo em gatilho

O dedo em gatilho é uma afecção em que um dedo permanece rígido e dobrado. Verifica-se quando um dos tendões que flectem o dedo se inflama e incha. Habitualmente, ao endireitar-se e dobrar-se o dedo, o tendão move-se de um modo uniforme por dentro da bainha que o envolve. O tendão inflamado sai da bainha quando o dedo se dobra, mas se o tendão estiver demasiado inchado ou tiver nódulos, ao endireitar o dedo não pode retroceder com facilidade. Para endireitar o dedo, deve fazer-se força na parte inchada para que se reintroduza dentro da bainha, o que produz uma sensação de estalido semelhante à que se sente quando se aperta o gatilho de um revólver.  

Diagnóstico e tratamento

O médico pode considerar que se trata de uma bursite se a zona à volta da bolsa dói à palpação e se alguns movimentos específicos da articulação são dolorosos. Se a bolsa estiver muito inchada, o médico pode extrair com uma agulha e uma seringa uma amostra do líquido da bolsa para fazer análises que determinem as causas da inflamação (como uma infecção ou a gota). As radiografias não costumam ser úteis, a menos que detectem os típicos depósitos de cálcio.

As bolsas infectadas devem ser drenadas, administrando-se, além disso, os antibióticos apropriados. A bursite aguda não infecciosa habitualmente é tratada com repouso, imobilização temporária da articulação afectada e um anti-inflamatório não esteróide, como a indometacina, o ibuprofeno ou o naproxeno. Por vezes, podem ser precisos analgésicos mais fortes. Como alternativa, pode injectar-se directamente na bolsa uma mistura de um anestésico local e um corticosteróide. Pode acontecer que a injecção tenha de ser novamente repetida.

As pessoas que sofrem de bursite aguda podem tomar um corticosteróide por via oral, como a prednisona, durante alguns dias. Quando diminui a dor, a prática de exercícios específicos é útil para aumentar o grau do movimento articular.

O tratamento da bursite crónica é semelhante, embora seja menos provável que tanto o repouso como a imobilização sejam eficazes. Por vezes, as grandes acumulações de cálcio nos ombros podem ser irrigadas com uma agulha de calibre grosso ou extraídas cirurgicamente. As bursites que limitam a função dos ombros podem ser aliviadas por meio de várias injecções de corticosteróides juntamente com uma fisioterapia intensiva, para restabelecer o funcionamento da articulação. Os exercícios ajudam a reforçar os músculos enfraquecidos e restabelecem o grau completo do movimento articular. A bursite é, com frequência, recidivante se não for corrigida a causa subjacente, como a gota, a artrite reumatóide ou o uso excessivo crónico da articulação.


0 comentários:

Contudo, várias outras causas também podem determinar doenças das articulações. Denomina-se genericamente ARTRITE qualquer processo infl...

Doenças das articulações



Contudo, várias outras causas também podem determinar doenças das articulações.

Denomina-se genericamente ARTRITE qualquer processo inflamatório que afete uma articulação e, é utilizada para se referir a um grupo de mais de 100 doenças reumáticas que podem causar dor, enrijeci-mento e edema das articulações. Grande número de artrites resulta da ação agressiva de bactérias infec-ciosas. Em geral, são bactérias comuns, como os estreptococos ou os estafilococos, produtoras de pus. Artrites deste tipo podem preceder ou acompanhar infecções de outras partes do organismo, podendo atingir indistintamente qualquer articulação. Os sinais inflamatórios são intensos e genéricos, com febre, mal-estar, falta de apetite. No entanto, de maneira geral, as artrites supurativas não são causa freqüente de dano articular definitivo.

Já a ARTRITE GOTOSA é resultante da deposição de sais de ácido úrico, os uratos, nas cartilagens arti-culares. Isso porque a gota é uma doença que se caracteriza por uma alteração metabólica que leva à produção exagerada de ácido úrico no organismo. Quando os uratos se depositam nas cartilagens, provo-cam fortes dores articulares; além disso, a deposição de uratos pode ser tão grande a ponto de determinar destruição de zonas articulares, com conseqüente perda irrecuperável da função.

A ARTIRTE REUMATÓIDE é uma doença crônica de causa desconhecida. A característica principal é a inflamação articular persistente, mas há casos em que outros órgãos são comprometidos. É caracterizada pelo comprometimento de pequenas e grandes articulações (artrite) de forma progressiva e aditiva, cau-sando deformidade e gradativa perda funcional.

FEBRE REUMÁTICA: é uma complicação tardia de uma amigdalite causada pelo estreptococo, em indivíduos sensíveis. As manifestações clínicas da Febre Reumática geralmente aparecem cerca de duas semanas após a infecção de garganta e são acompanhadas de febre. Os principais órgãos acometidos são: coração, articulações, sistema nervoso e pele. O paciente vai apresentar febre; dor, vermelhidão e edema nas grandes articulações (tornozelos, joelhos, punhos e cotovelos); e, se houver acometimento do coração, poderá apresentar falta de ar e palpitações. A faixa etária mais atingida está entre 5 e 15 anos, quando grande parte dos episódios de amigdalite são causados por essa bactéria - o estreptococo. A me-lhor maneira de evitar a Febre Reumática, já que ela é decorrente de uma amigdalite pelo estreptococo, é procurar o médico sempre que ocorrer uma infecção de garganta, para que ela seja adequadamente tratada.

Finalmente, a artrite poderá ser resultante de vários tipos de traumatismo, provocado por panca-das, choques, quedas. Um traumatismo intenso pode levar á ruptura parcial ou total da cápsula articular e seus ligamentos, com lesão da sinóvia e dos meniscos. A sinóvia responde à agressão através do aumento de secreção de líquido sinovial: é o chamado derrame articular ("água no joelho"). Quando ocorre ao mes-mo tempo a ruptura de vasos sanguíneos, o caso é de hemartrose, ou seja, derrame sanguíneo na articu-lação.

Existem também outras afecções que, apesar de não atingirem diretamente as articulações, são englobadas no estudo das doenças das articulações. Uma dessas afecções é a bursite (bursa, bolsa), isto é, a inflamação das bolsas sinoviais, as estruturas que funcionam como auxiliares dos ligamentos e dos tendões e que possuem grande mobilidade. Funcionalmente, essas bolsas facilitam a mobilidade e o desli-zamento dos ligamentos e tendões. A inflamação atinge, com maior freqüência, os homens porque estes sempre desenvolvem maior atividade física. Acredita-se que a bursite resulte de traumas contínuos e repe-tidos. A inflamação quase sempre provoca dores nos cotovelos e nos ombros.
Outra afecção é a inflamação dos próprios tendões muscular, tecnicamente denominada tenossi-novite. Na maior parte das vezes, a inflamação é resultado de traumas constantes como uso excessivo ou solicitações muito intensas. Ocorre com freqüência nas mãos de artesãos, datilógrafos e pianistas. Apesar do trauma desempenhar importante papel desencadeante, comumente está associado a processos infec-ciosos.

ARTROSE

A causa e o mecanismo de estabelecimento das artroses não são bem conhecidos. Porém, seu aparecimento está intimamente ligado a processos normais de envelhecimento das estruturas articulares. De maneira geral, a artrose pode ser definida como uma degeneração da cartilagem articular, que perde sua função amortecedora. Por esse motivo, a porção óssea localizada sob a cartilagem sofre agressões mecânicas. Como conseqüência, o osso reage, engrossando no centro e aumentando de volume nos bor-dos, por meio da proliferação de células ósseas. Convencionalmente, adota-se a denominação osteoartro-se primária para os casos que não apresentam causa aparente, nos quais possivelmente existe alguma predisposição hereditária.

Já a osteoartrose secundária é aquela determinada por causas conhecidas. As mais freqüentes são as resultantes da gota, de posturas físicas desfavoráveis, de pés chatos, do mau alinhamento dos joe-lhos, da sobrecarga de peso nas articulações, de obesidade e de freqüentes traumatismos (golpes) pouco intensos.

PREDISPOSIÇÃO: a osteoartrose ocorre quase exclusivamente em pessoas de meia-idade para mais, possivelmente pela alteração na composição e estrutura da cartilagem articular (perda de água, proli-feração celular, aparecimento de gordura e outros fatores). Também contusões, fraturas, deslocamentos de juntas e até pequenos traumatismos são causas freqüentes.

DOR: a osteoartrose nem sempre apresenta uma relação entre os sintomas e o grau de degenera-ção articular, evidenciado com bastante precisão pelos raios X. Um paciente com degeneração articular avançada poderá apresentar poucos sintomas, enquanto que outro, com degeneração menos acentuada, poderá queixar-se insistentemente de seu desconforto.

O sintoma mais característico é a dor, aliviada somente pelo repouso ou com administração de analgésicos e antiinflamatórios.

A dor pode ser acompanhada de inchaço e derrame articular (acúmulo de líquido na cavidade arti-cular); as cavidades mais atingidas poderão mais tarde apresentar um ruído característico, a crepitação, semelhante ao atrito do couro ressecado.

CONTROLE: como a ARTROSE é uma enfermidade degenerativa, não existe a possibilidade de uma cura propriamente dita, pois não se consegue reverter o processo e devolver à articulação sua normalidade total. No entanto, o médico tentará deter a marcha da moléstia através de medidas que evitem ou ao me-nos atenuem os fatores agravantes. São empregados alguns métodos de tratamento que consistem na redução da obesidade, na correção de vícios de postura e de anormalidades ortopédicas.
A fisioterapia – repouso adequado, massagens e aplicação de calor local (bolsas de água quente, ondas curtas etc.) – tem grande importância no tratamento.

0 comentários:

Quando alguém que sente dor nas articulações, nos ossos, nos músculos ou na coluna procura atendimento médico, é comum ouvir alguma afirma...

Exames importantes na Reumatologia


Quando alguém que sente dor nas articulações, nos ossos, nos músculos ou na coluna procura atendimento médico, é comum ouvir alguma afirmação do tipo "vou solicitar alguns exames para ver se é reumatismo". Digo isso porque muitas pessoas vêm consultar comigo pedindo para "fazer exames para reumatismo". Se elas dizem isso, já ouviram essa conversa em algum lugar. Não foi comigo, pois não solicito "exames para ver se é reumatismo" simplesmente porque reumatismo não é uma doença e portanto não existem exames que mostrem que "é reumatismo".

Mas a picaretagem corriqueira praticada com "exames para reumatismo", "diagnóstico de reumatismo" e "tratamento para reumatismo" é endêmica em nosso país. Por isso, vou abordar a questão do exame mais importante para o diagnóstico de qualquer doença que cause dor nas articulações, nos ossos, nos músculos ou na coluna, para tentar desmitificar os tais "exames para ver se é reumatismo".

De tanto ouvirem falar em "exames para reumatismo" as pessoas leigas continuam na ignorância a respeito do que é a reumatologia e do que faz o reumatologista. Muitos pensam que reumatologia se resume em "pedir exames para ver se é reumatismo" e passar o "tratamento para reumatismo" se algum resultado estiver alterado.

Os exames usados pelos que dizem que "é reumatismo" são: VHS (velocidade de hemossedimentação), Proteína C reativa, ASLO (anti-estrptolisina O), fator reumatóide e FAN (fator antinuclear). Mas cientificamente nenhum desses exames, quando positivo ou aumentado, significa que alguém "tem reumatismo".
Em reumatologia, o exame mais importante para o diagnóstico é o exame... físico.

Exame físico é o exame que o reumatologista faz das articulações, dos ossos, dos músculos, da coluna e dos locais doloridos para identificar a parte do corpo afetada pela doença e as características físicas que estejam presentes no local doente.

Por exemplo, quando alguém sente dor no joelho, isso pode parecer algo bem simples, mas para o reumatologista "dor no joelho" tem muitos significados.

Em primeiro lugar, a dor "no joelho" pode ser na frente, atrás, do lado de dentro (o que fica ao lado do outro joelho - o termo técnico é medial) ou do lado de fora do joelho (o termo técnico é lateral). Então, já podemos concluir que "dor no joelho" tem pelo menos 4 significados diferentes. A dor em cada um desses locais pode representar uma doença diferente, que pode se originar na articulação do joelho mas também pode não ter nada a ver com o joelho em si, e ter origem em outro local.
Em segundo lugar, se o local dolorido está inchado ou não, temos dois novos significados para "dor no joelho". Se o inchaço é quente ou não são mais dois; se o local fica vermelho ou não, são mais dois; se o inchaço é duro ou mole, são mais dois. E assim por diante, pois há muitas características que só o exame físico pode revelar.
Cada uma das combinações possíveis de achados físicos sugere uma doença diferente. A maioria das doenças podem ser diagnosticadas ao exame físico, mas algumas precisam de exames de sangue e de imagem (raios-X, ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética) para o diagnóstico.

Quem diz que alguém que sente dor no joelho e tem VHS aumentado ou proteína C reativa positiva "tem reumatismo" está atestando a própria ignorância e marcando a pessoa doente com um estigma desnecessário.

Quem diz que alguém que sente dor no joelho e tem ASLO aumentada "tem reumatismo" está atestando a própria ignorância e marcando a pessoa doente com um estigma desnecessário.

Quem diz que alguém que sente dor no joelho e tem fator reumatóide positivo "tem reumatismo" está atestando a própria ignorância e marcando a pessoa doente com um estigma desnecessário.

Quem diz que alguém que sente dor no joelho e tem FAN positivo "tem reumatismo" está atestando a própria ignorância e marcando a pessoa doente com um estigma desnecessário.

A mesma afirmação é válida para a dor sentida nas mãos, nos braços, nos ombros, no pescoço, nas costas, no quadril, na coxa, na perna, no pé, no peito, no abdome, no rosto, na cabeça, em qualquer lugar do corpo, isolada ou em conjunto com outras dores, ocorrendo somente como dor musculo-esquelética ou acompanhada de sintomas produzidos pelos órgãos internos, como o coração, o fígado, o cérebro, os rins, os pulmões, o intestino, etc.

Em qualquer situação, o diagnóstico nunca "é reumatismo" e nunca será dado por VHS, proteína C reativa, ASLO, FAN ou fator reumatóide.

O principal exame para diagnóstico é o exame físico e antes do resultado do exame físico, os resultados de VHS, proteína C reativa, fator reumatóide, ASLO e FAN não têm importância nenhuma e, dependendo dos resultados do exame físico, podem ou não ser solicitados porque podem ou não ser úteis para o diagnóstico.
Para fazer o diagnóstico, o reumatologista combina os dados da história que a pessoa doente conta sobre o que sente com os dados que estão presentes ao exame físico. Em 90% das vezes, o diagnóstico estará feito ao término do exame físico. Depois disso, o reumatologista pode ou não solicitar exames para confirmação do diagnóstico ou para esclarecimento de alguma dúvida que ainda possa ter.

Se exames forem solicitados, a pessoa culta e consciente deveria evitar de perguntar ao especialista se "foram solicitados exames para ver se é reumatismo", simplesmente porque não existem exames cujos resultados alterados, positivos ou aumentados signifiquem reumatismo.
Os que usam a expressão "exames para reumatismo" para se comunicar com as pessoas doentes estão apenas tentando preservar a todo custo a crença no mito reumatismo, que como todo mito, serve apenas de substituto para a ignorância.

0 comentários:

A Fisioterapia tem como objetivo principal, a reintegração do indivíduo na sociedade. As doenças reumatológicas crônic...

A fisioterapia na reumatologia



A Fisioterapia tem como objetivo principal, a reintegração do indivíduo na sociedade.

As doenças reumatológicas crônicas, na maioria dos casos, geram algumas incapacidades; nestes casos, a fisioterapia tem como objetivo, retardar e/ou amenizar os déficits identificados.

É importante que o indivíduo procure o médico para que o diagnóstico e o tratamento dessas doenças sejam definidos o mais precocemente possível e assim, a fisioterapia, iniciada ainda no período agudo da doença, possibilite maiores chances da manutenção e/ou melhora dos sintomas e funções do organismo dos pacientes.

Os métodos fisioterapêuticos mais utilizados nas alterações reumatológicas são: ultra-som; ondas curtas; crioterapia (gelo); laser e TENS que agem de forma analgésica, anti- inflamatória e cicatrizante. Além destes recursos existem exercícios específicos, massagens, alongamentos, mobilizações e outros.

Por isso, sempre que for solicitada, a fisioterapia deve ser realizada de 2 a 3 vezes por semana, para que todos os recursos atinjam os efeitos necessários.

É importante que os portadores de doenças reumáticas pratiquem esportes.

0 comentários:

Dor no ombro - Tratamento com fisioterapia pode acelerar recuperação da lesão e amenizar os sintomas A síndrome do ombro doloroso inclui qua...

Tratamento fisioterapêutico para dor nos ombros



Dor no ombro - Tratamento com fisioterapia pode acelerar recuperação da lesão e amenizar os sintomas A síndrome do ombro doloroso inclui qualquer condição sobre o ombro relacionada à dor e causa restrições aparentes na movimentação da pessoa que adquire tal desordem.

Essa síndrome é composta por:

a) Tendinite: Prejuízo doloroso de movimento que causa inflamação do tendão.

b) Luxação: Perda do contato ósseo com presença de laceração do tendão ou não.

c) Ruptura: Trauma grande ou uma série de microtraumas que resultam em movimentos limitados e dores exacerbadas através do movimento. Podem ser totais ou parciais.

d) Bursite: Inflamação da *bursa sinovial responsável pela nutrição da articulação.

As lesões do **manguito rotador constituem causa muito comum de dor no ombro de pessoas com idade acima dos 40 anos e seu diagnóstico nem sempre pode ser estabelecido com facilidade. As dificuldades diagnósticas estão relacionadas com a localização profunda das estruturas que compõem a articulação do ombro.

O quadro clínico de lesões no ombro é baseado em alguns sinais e sintomas como dor que será proporcional ao grau de inflamação do músculo e não ao tamanho da ruptura. Essa piora à noite pelo estiramento das partes moles, pode ser espontânea e aumentar com os movimentos. A dor está presente em todas as fases da lesão.

A dor ocorre com a elevação do braço, mas diminui após 120 graus de elevação. Ouve-se aqueles famosos "clocks" quando se movimenta a articulação. Há também diminuição da força muscular, principalmente ao elevar o braço.

O tratamento é indicado para casos de inflamação da bursa e do tendão. Vários são os métodos de tratamento. Quem irá definir será o fisioterapeuta mediante avaliação de cada caso.

O tratamento pode acelerar a recuperação da lesão e amenizar os sintomas. Normalmente são feitas várias sessões de fisioterapia de acordo com cada caso, que inicialmente têm o objetivo de retirar a dor e conforme esta vai cedendo, trabalha-se a recuperação dos movimentos.

* bursa sinovial: pequena bolsa cheia de líquido (sinóvia) localizada no ponto em que um músculo ou tendão roça num osso

** manguito rotador: complexo composto de 4 músculos

por Juliana Prestes Mancuso

0 comentários:

Rigidez do cotovelo é uma afecção comum, após traumatismo articular podendo causar comprometimento substancial da função do membro super...

Rigidez pós-traumática do cotovelo


Rigidez do cotovelo é uma afecção comum, após traumatismo articular podendo causar comprometimento substancial da função do membro superior(1). Diversas situações clínicas podem proporcionar perda de movimento no cotovelo. O sucesso de seu tratamento depende de uma avaliação clínica adequada que determine as alterações anatômicas envolvidas no processo patológico, permitindo ao cirurgião intervir adequadamente(2).

Etiologia

A propensão da articulação do cotovelo a desenvolver rigidez pós-trauma é reconhecida pelos ortopedistas, mesmo após traumas leves. As principais razões que expõe a articulação do cotovelo a esta complicação são: o alto grau de congruência, a complexidade de suas superfícies articulares e a grande sensibilidade tecidual ao trauma, especialmente da cápsula articular. Além da relação direta da rigidez articular do cotovelo com o trauma, má reabilitação e imobilização prolongada desnecessária, também, são fatores relacionados à perda de amplitude de movimento, e nos quais o ortopedista tem influência direta.

O envolvimento do paciente com o tratamento, também é citado como fator causal de rigidez articular do cotovelo, porém, para muitos autores essa não é uma causa de grande relevância.

Outras causas descritas incluem queimaduras e ossificação heterotópica, frequentemente consequente a traumatismos cranianos(3).

Patologia

Estudos experimentais em laboratório têm investigado as alterações bioquímicas e biológicas, que ocorrem nos tecidos periarticulares, como resposta ao trauma. Cohen et al(4) documentaram que cotovelos rígidos apresentam uma cápsula fina, com desorganização da matriz colágena, aumento de citocinas inflamatórias e infiltração fibroblástica, caracterizando uma condição fibrótica e inflamatória. Outros autores documentaram aumento na formação de colágeno do tipo cross-linked, associado à diminuição do conteúdo de proteoglicanos e água em articulações contraturadas, além de alterações na regulação do fator de crescimento beta 1 (TGFβ). Outro conceito importante que surge a partir das investigações mais recentes, sugere a existência de uma resposta individual a um trauma de mesma intensidade(5,6).

Quadro clínico

A perda de amplitude de movimentos depende da natureza da lesão e seu tratamento. A perda da extensão é mais comum, porém, perda de flexão não é incomum, assim como, da rotação do antebraço(1). A combinação da perda da extensão associada à perda da supinação do antebraço, representa limitação grave para determinadas atividades da vida diária(2).

Em pacientes que apresentam luxações simples do cotovelo, a perda de movimento é puramente intrínseca, relacionada à contratura capsuloligamentar e ao dano muscular. Pacientes com fratura-luxação apresentam limitação dos movimentos do cotovelo, seja pela natureza da lesão ou pela reabilitação pós-operatória. Em alguns casos, a instabilidade articular, incongruência articular ou subluxação, principalmente úmero-ulnar, pode estar associada à limitação do arco de movimento(1,7).

A dor não costuma ser um sintoma presente, exceto na presença de degeneração articular ou nos movimentos extremados. Por outro lado, dor em repouso pode sugerir infecção, principalmente em indivíduos já submetidos a cirurgias prévias(1). Nesses casos, a dosagem da proteína C reativa e velocidade de hemossedimentação estará indicada.

Um dos parâmetros clínicos mais importantes para indicação de tratamento cirúrgico é a presença de sintomatologia relacionada ao nervo ulnar. Sinais de neuropatia indicam necessidade de neurólise e transposição anterior. Por vezes, a sintomatologia neuropática pode ser subclínica, devendo o examinador procurar identificar esses pacientes por meio de testes provocativos(1-3).

O exame sob anestesia é controverso, quanto a suas indicações e eficácia. Morrey recomenda esse procedimento, em pacientes que durante o período pós-operatório não responderam à reabilitação, mesmo com uso de imobilizadores articulados, fisioterapia, e até aparelhos de mobilização articular contínua (Amac)(1) (Figura 1).

 

 

CLASSIFICAÇÃO

Morrey(1) classificou a rigidez articular em dois grupos principais, baseando-se na etiologia e localização anatômica da contratura. Essa poderá ser extrínseca, quando se limita às partes moles ou a processos extra-articulares. As intrínsecas referem-se a processos articulares, como consolidações viciosas e doenças articulares degenerativas. Frequentemente, contraturas intrínsecas apresentam um componente extrínseco associado, sendo consideradas contraturas mistas(2).

Kay(8) descreveu outra classificação para a rigidez do cotovelo, baseada nos componentes envolvidos no processo. No tipo I existirá somente uma contratura isolada de partes moles. No II, contratura de partes moles associada à ossificação heterotópica. No tipo III, contratura de partes moles associada à fratura articular consolidada, sem desvio. No IV, a contratura de partes moles estará associada à consolidação viciosa de fratura articular e o tipo V refere-se à presença de barra óssea transarticular.

Exames complementares

Na maioria dos casos, radiografias simples em anteroposterior e perfil do cotovelo são suficientes. Em contraturas maiores que 30º a imagem em anteroposterior apresenta-se distorcida, nesses casos, as imagens oblíquas são opções adequadas. Além de deformidades articulares, deveremos avaliar o espaço articular, a qualidade da cartilagem articular, sua congruência, presença de ossificações heterotópicas e a localização de material de osteossíntese(3).

Tomografia computadorizada deverá ser solicitada sempre que houver acometimento articular associado, que é mais grave quando acomete a articulação úmero-ulnar(2,3) (Figura 2).

 

 

Eletroneuromiografia é necessária quando existir suspeita clínica de neuropatia do nervo ulnar(3).

Por outro lado, imagem de ressonância magnética é exame de exceção na propedêutica desta patologia(9).

Indicações cirúrgicas

O arco funcional do cotovelo é definido como uma amplitude de movimento de flexo-extensão de 30º a 130º e pronossupinação de 50º a –50º(10). Por outro lado, perda de 50% da mobilidade do cotovelo representa perda funcional de 80% da função da extremidade. Da mesma forma, contraturas em flexão maiores de 45º determinam disfunção grave na capacidade de posicionar a mão no espaço.

Em resumo, a intervenção cirúrgica estará indicada em pacientes que apresentam uma amplitude de movimento no cotovelo, menor que 100º de flexo-extensão ou de 50º a –50º de pronossupinação. Porém, a indicação deve ser individualizada, de acordo com as necessidades funcionais de cada paciente e a habilidade do cirurgião.

Pacientes com rigidez articular do cotovelo, independente da etiologia, que apresentam sinais clínicos de neuropatia do nervo ulnar, devem ser tratados cirurgicamente com neurólise e transposição do nervo, associada à liberação articular do cotovelo. O comprometimento motor exige indicação cirúrgica absoluta(1,2).

O grau de acometimento articular é o fator prognóstico mais importante, e a variável que orienta a modalidade terapêutica e resultados, que irá da liberação articular até a artroplastia de interposição(1).

 

TRATAMENTO

A escolha da técnica a ser empregada depende da etiologia da rigidez articular e da experiência do cirurgião. Diversas modalidades de tratamento foram descritas na literatura especializada, porém com resultados inconsistentes.

Tratamento incruento

As modalidades não-operatórias, no manejo da rigidez pós-traumática do cotovelo, consistem no uso de imobilizadores articulados e fisioterapia. O tratamento conservador até o quarto mês não é de exceção, especificamente em quadros de rigidez não associadas a deformidades articulares e ossificação heterotópica. Apesar de alguns autores apresentarem ganhos de extensão de até 30º, com esse tipo de tratamento, esses resultados não foram reproduzidos pela maioria, sendo indicação de exceção. Manipulação sob anestesia em contraturas crônicas, além de não apresentar bons resultados, predispõe a formação de hematoma, dor, rigidez adicional e ossificação heterotópica(10,11).

Tratamento cruento

O tratamento cirúrgico do cotovelo rígido estável pode ser realizado por via cruenta ou por técnica vídeoartroscópica. A opção por via cruenta é preferencial em casos em que exista uma retração acentuada de partes moles, onde a cirurgia artroscópica é tecnicamente difícil, e quando há indicação de ressecção de ossificação heterotópica, reconstrução articular ou artroplastia por interposição. Na presença de deformidade articular pós-traumática, a realização de osteotomias corretivas, associada à artrólise estará indicada. Artroplastia total do cotovelo é uma opção em indivíduos idosos, com baixa demanda, com limitação funcional e degeneração articular(1).

A literatura ortopédica atual registra resultados funcionais semelhantes, nos grupos submetidos à liberação cruenta ou artroscópica, mas não existem trabalhos comparativos entre as técnicas, provavelmente pela dificuldade em identificar grupos homogêneos que possibilitem esse tipo de avaliação(12-14).

A maioria das séries, não recomenda a realização de artrólise nas crianças e adolescentes, seja aberta ou artroscópica, em virtude da qualidade dos resultados obtidos nesse grupo de pacientes(15). Porém, séries mais recentes afirmam que em pacientes sem incongruência ou degeneração articular os resultados são semelhantes aos da população adulta(16).

Dessa forma, independente da técnica, para que o tratamento cirúrgico seja eficiente é necessário identificar corretamente a causa da rigidez, o que possibilitará um planejamento cirúrgico específico e sequencial.

Procedimento cruento

Os cuidados no trato das partes moles periarticulares devem ser a principal preocupação quando utilizamos a técnica cruenta, principalmente em pacientes submetidos previamente à cirurgia, em virtude do risco de complicações pós-operatórias.

O percentual de complicações nas liberações cruentas é de aproximadamente 10 a 30%, dependendo da natureza das alterações existentes e do tratamento empregado. As complicações descritas, em ordem de frequência, incluem: complicações de pele, infecção, neuropatia do nervo ulnar, ossificação heterotópica e dor(1,2,12).

A seguir serão discutidas as diversas opções de acessos cirúrgicos utilizados para o tratamento da rigidez pós-traumática do cotovelo.

Acesso anterior

Urbaniak et al(17) popularizaram o acesso anterior ao cotovelo, principalmente para o tratamento da perda de extensão do cotovelo. Propõem, apenas, uma capsulotomia anterior transversa, em pacientes com contratura em flexão isolada. Outros autores realizam, por esse acesso, uma capsulectomia anterior associada a tenotomia do braquial. A grande limitação desse acesso é que ele não atua na limitação da flexão, e requer a identificação e proteção das estruturas neurovasculares. Apesar disso, essa via de acesso permite exposição direta da cápsula anterior e identificação de ossificações heterotópicas nessa topografia(1,17).

Acesso medial

O acesso medial tem sua principal indicação, em pacientes com sinais de acometimento do nervo ulnar. Essa via de acesso, além de permitir o tratamento das alterações neurológicas do ulnar, também possibilita a abordagem de toda a cápsula anterior e o recesso posterior da articulação. Essa exposição é limitada e ineficiente, quando a doença acomete a articulação umerorradial e as estruturas laterais. Os reparos anatômicos desse acesso são o epicôndilo medial, o nervo ulnar e o septo intermuscular medial do braço. A chave para uma boa exposição é a separação do pronador redondo da massa flexora e sua elevação permitindo a visualização ampla da cápsula anterior. Para abordar a face posterior da articulação realiza-se liberação do nervo ulnar, o descolamento da porção medial do tríceps, permitindo-se a identificação dos osteófitos(1,2).

Acesso lateral limitado: o procedimento colunar

O procedimento colunar descrito por Mansat e Morrey(18) permite a abordagem anterior e posterior da articulação. A região anterior da articulação é identificada no intervalo entre as fibras distais do braquiorradial e do extensor radial longo do carpo. Dessa forma é possível ressecar os 2/3 laterais da cápsula anterior e incisar o seu 1/3 medial. Quando a cabeça radial estiver envolvida e existir indicação de sua ressecção, o acesso lateral estará indicado. Osteófitos do processo coronoide e da região anterior da extremidade distal do úmero podem ser, então, ressecados. A seguir, por meio da elevação da porção lateral do tríceps expõe-se a cápsula posterior, osteófitos posteriores, tecido fibroso que preenche a fossa olecraneana e osso heterotópico permitindo a ressecção adequada.

A complicação mais comum dessa abordagem é parestesia no território do nervo ulnar, seja por acesso agressivo às estruturas mediais, pela colocação de afastadores nessa topografia ou ainda, pelo ganho de movimento pós-operatório, principalmente de flexão, que expõe o nervo à tensão aumentada, tornando uma neuropatia subclínica em sintomática(18,19).

Acesso posterior extenso

Essa via de acesso está indicada em casos graves, quando a exposição medial e lateral é necessária ou em casos em que a superfície articular está acometida(1). Realiza-se um acesso posterior de pele, sendo o nervo ulnar a primeira estrutura a ser identificada e liberada de seu leito. Em seguida, é realizada a dissecção do retalho cutâneo lateral, elevando a massa extensora da cápsula anterior, identificando-se e protegendo o complexo ligamentar lateral. Em seguida, é feito o descolamento do retalho medial e o nervo ulnar, previamente identificado, deverá ser protegido. Nos casos, em que persistir a limitação da flexão, após a liberação lateral, a ressecção da banda posterior do ligamento colateral medial estará indicada, por este ser um restritor importante da flexão a partir de 110º. Por esse acesso, a ressecção da cápsula medial também poderá ser realizada por visão direta, assim como eventual ossificação heterotópica(20) (Figura 3).

 

 

Procedimento artroscópico

A cirurgia, por técnica vídeoartroscópica, para o tratamento do cotovelo rígido pós-traumático tem tornado-se uma prática corrente, com resultados consistentes na literatura ortopédica. Porém, é um procedimento tecnicamente complexo para o cirurgião. Deve ser indicado, preferencialmente, nas contraturas menos graves, com perda menor que 15º de extensão, e quando existirem corpos livres intra-articulares(13,14,21,22).

O que torna o procedimento complexo é a proximidade das estruturas neurovasculares, com os tecidos periarticulares e os portais artroscópicos, associado à redução do volume capsular, que poderá ser de até 6cm³, o que dificulta a realização da distensão hídrica da articulação, aumentando o risco de lesão das estruturas nobres(23).

Nessa técnica, o passo inicial é a identificação e a ressecção de todos os corpos livres. A seguir, realiza-se a ressecção de osteófitos e ossos heterotópicos, preservando-se, integralmente, a estrutura capsular. Morrey(1), preferencialmente, observa por meio do portal anteromedial e realiza a ressecção óssea através do portal anterolateral. O uso de retratores capsulares popularizados por Kelly et al(23) é extremamente útil nesse momento. Após a realização do tempo ósseo descrito anteriormente, a cápsula anterior é liberada, de proximal para distal, sempre lateral ao processo coronoide, observando por meio do portal medial. Aspiração não deve ser utilizada, devendo-se usar somente fluxo gravitacional de saída. O nervo radial encontra-se em risco nesse momento, estando entre um a dois milímetros (mm) da cápsula articular. O risco de lesão nervosa é minimizado, quando realizamos a capsulectomia umeral, evitando-se trabalhar no tecido capsular que se encontra na topografia da cabeça do rádio. A seguir confeccionam-se o portal central posterior e o posterolateral, realizando-se a abordagem posterior na mesma sequência(21-23).

Atualmente, diversas séries de casos têm apresentado resultados satisfatórios com índice de complicações equivalente às artrólises realizadas por técnica aberta(13,14,23) (Figura 4, A, B, C e D).

 

 

Artroplastia de interposição

A artroplastia de interposição, associada à artrólise deve ser considerada em pacientes jovens, que apresentam contratura mista com sinais radiográficos de degeneração das superfícies articulares de mais de 50%, ou que necessitem de remodelagem das superfícies articulares por consolidação viciosa. Fáscia lata é o tecido mais comumente utilizado nesse procedimento, e deve ser suturado, cuidadosamente, ao redor de toda a superfície articular, comprometida por meio de sutura transóssea. A abordagem ao compartimento lateral do cotovelo, com liberação do complexo ligamentar lateral é possível com a exposição ampla da articulação, realizando-se um fulcro de abertura lateral sobre o ligamento colateral medial, que deverá estar íntegro. A ressecção da cabeça do rádio associada deve ser evitada, pois aumenta o risco de instabilidade pós-operatória.

O emprego do fixador externo articulado, por quatro a seis semanas é recomendado, propiciando distração articular, estabilidade e permitindo a mobilização precoce(20).

Artroplastia total de cotovelo

Estará indicada em pacientes idosos, com mais de 65 anos, que apresentam restrição funcional grave do cotovelo, associada à degeneração das superfícies articulares.

Na literatura ortopédica há pouca informação a respeito desse procedimento. Mansat e Morrey(24) relatam 76% de resultados satisfatórios, porém, com 50% de complicações, sendo dois casos de infecção profunda. Além disso, segundo Mansat e Morrey(24) e Blaine et al(25), a artroplastia total do cotovelo, em pacientes que previamente foram submetidos a artroplastia de interposição, apresenta resultado e incidência de complicações comparadas às das séries de revisão de artroplastia total de cotovelo (Figura 5, A, B e C).

 

 

Ossificação heterotópica

A ossificação heterotópica é um dos fatores relacionados à rigidez pós-traumática de cotovelo.

A eficácia da medicação inflamatória não hormonal e da radioterapia, na prevenção de ossificação heterotópica no cotovelo, não apresentam comprovação científica(26).

Não existem, ainda, trabalhos controlados quanto ao uso da Indometacina combinado com os métodos contemporâneos de mobilização do cotovelo no pós-operatório. Acredita-se que, provavelmente, a utilização dos Amac e dos fixadores externos articulados, diminuiriam a incidência de ossificação heterotópica.

De toda forma, os cirurgiões que regularmente tratam o cotovelo rígido utilizam baixa dosagem de radiação, ou três a seis semanas de indometacina, 75mg diariamente, divididas em três tomadas.

Hastings e Graham(27) propôs uma classificação da ossificação heterotópica, em três tipos relacionados com a extensão da formação de osso ectópico (Figura 6, A e B).

 

 

A maioria dos pacientes, que apresentam ossificação heterotópica são candidatos à intervenção cirúrgica. O momento ideal para a ressecção será definido pela presença de sinais radiográficos de maturidade da ossificação e tempo de evolução mínimo de quatro a seis meses(28,29).

A utilização da cintilografia óssea tem valor limitado para avaliação da maturidade da ossificação, sendo pouco utilizada na prática clínica.

A ossificação heterotópica era considerada fator de mau prognóstico quando relacionada à rigidez articular do cotovelo(26). Recentemente, alguns autores sugeriram haver evidência clínica, que a associação de rigidez do cotovelo com ossificação heterotópica apresentaria melhores resultados clínicos pós-operatórios(28,29).

Pós-operatório

O tratamento pós-operatório do cotovelo rígido, depende da sua etiologia e do tipo de procedimento cirúrgico empregado.

Nos casos em que foi necessária a liberação do complexo ligamentar lateral ou nas artroplastias de interposição, o uso do fixador externo é útil, propiciando proteção a reconstruções ligamentares e articulares, permitindo a mobilização articular precoce, principalmente nas três semanas iniciais(1).

Outra opção é a utilização do Amac, pouco disponível em nosso meio, mas, que permite, mobilização passiva da articulação com bons resultados, sempre de forma associada ao bloqueio contínuo do plexo braquial nos primeiros dias, propiciando uma articulação indolor que poderá ser mobilizada adequadamente(1,3,25).

Uma forma de reabilitação mais acessível é o uso de imobilizadores articulados. Poderão ser utilizados com mobilização contínua ou intermitente, sendo esta última forma, reservada para casos em que se deseja privilegiar um movimento específico, seja extensão ou flexão(30).

O valor da fisioterapia é questionável e controverso na literatura ortopédica, pois a potencial agressão a articulação, durante as sessões, causa dor e aumento do processo inflamatório, impedindo a recuperação da amplitude dos movimentos. Ela deve ser reservada para quando existir uma interação efetiva do cirurgião com o terapeuta, de forma que o mesmo esteja informado quanto ao procedimento realizado, os resultados e as limitações esperadas(1).

Cabe ressaltar, que cada paciente necessita uma abordagem individualizada utilizando-se uma ou mais, das técnicas descritas.

 

CONCLUSÃO

Nos últimos 20 anos, dramáticas mudanças na abordagem da rigidez pós-traumática do cotovelo têm sido documentadas. O melhor entendimento das alterações patológicas e biomecânica articular permitiu o desenvolvimento de técnicas cirúrgicas mais adequadas. Mas os resultados pós-operatórios dependem da extensão da doença, tratamento empregado e experiência do cirurgião. Acreditamos que um melhor diagnóstico e tratamento das lesões agudas traumáticas do cotovelo, ainda são a melhor forma de prevenir este tipo de complicação.

Fonte

0 comentários:

Faça Fisioterapia