A capsulite adesiva, também chamada de ombro congelado, é um quadro clínico que se caracteriza por dor na região do ombro e limitação ar...

Resumo de capsulite adesiva / ombro congelado

A capsulite adesiva, também chamada de ombro congelado, é um quadro clínico que se caracteriza por dor na região do ombro e limitação articular, ou seja, perda dos movimentos do braço, especialmente elevação anterior, o que dificulta fazermos atividades como pentear o cabelo, etc… Também estão comprometidos, em maior ou menor grau, a rotação lateral, o que dificulta, por exemplo, abrir uma porta, e a rotação medial, que dificulta coçar as costas.

Existem várias causas que podem provocar o aparecimento do ombro congelado, que geralmente acomete adultos na faixa do 40 aos 60 anos de idade. Uma das mais comuns é o diabetes, especialmente naquelas pessoas que tomam insulina regularmente. Outras causas podem ser atribuídas a problemas locais na articulação, como depósitos de cálcio, tendinites ou mesmo à degeneração da articulação. Pode aparecer como conseqüência de um tempo de imobilização muito prolongado, como tratamento de algumas fraturas na região do ombro. Esta doença também é relacionada com problemas fora da articulação, como pós-operatórios de cirurgias cardíacas ou de mama, ou mesmo tumores como o de pulmão. Cabe ao médico especialista determinar a causa básica para o aparecimento do ombro congelado, e de acordo com esta causa indicar o melhor tratamento para cada pessoa.

Algumas vezes, não raro, o ombro congelado aparece sem ter uma causa aparente, o que em termos médicos é chamado "idiopático". Nestas pessoas, desde que descartadas as causas básicas, o tratamento deve, inicialmente, aliviar o componente doloroso, para depois se promover à volta gradual dos movimentos da articulação. Diferentes tratamentos foram e são indicados para o ombro congelado, alguns deles já praticamente não feitos mais, como a cirurgia aberta. Os tratamentos mais utilizados atualmente se baseiam na fisioterapia ou acupuntura, métodos considerados "não invasivos", ou seja, não requerem anestesia, internação, etc., mas são métodos que levam à melhora lenta e gradual, o doente precisa ter paciência e saber que não vai melhorar de uma hora para outra. Temos utilizado em nosso grupo um tratamento baseado em bloqueios analgésicos (injeção de anestésico junto aos terminais nervosos da articulação) que tem levado a um alívio dos sintomas mais rápido, além de serem também feitos no consultório e com altos índices de bons resultados.

Como todos os tratamentos em medicina existe um índice de falha destes tratamentos não agressivos, ao redor de 10 a 15%. Para estas pessoas está indicada uma artroscopia, que permite se visualizar diretamente o interior da articulação e fazer a liberação das estruturas que estão retraídas, desta maneira restaurando o movimento da articulação. Por ser um procedimento cirúrgico, e que, portanto, acarreta em internação e anestesia, deve ser reservado para aquelas pessoas que não obtiveram alívio com o tratamento mais simples.

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Os cistos sinoviais são nódulos firmes cheios de fluido sinovial que podem aparecer de forma repentina junto a articulações, especialme...

Saiba mais sobre cistos sinoviais

Os cistos sinoviais são nódulos firmes cheios de fluido sinovial que podem aparecer de forma repentina junto a articulações, especialmente nas mãos e punhos. 

Estes cistos crescem a partir de tecidos normais originados das articulações e das bainhas sinoviais dos tendões e podem variar no tamanho, desde quase imperceptíveis a nódulos volumosos e deformantes.

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Sinóvia é o nome dado ao tecido que recobre as juntas e os tendões. Este tecido produz um fluido espesso que lubrifica as articulações e os tendões. Um defeito neste processo pode provocar a produção de líquido sinovial fora do sítio apropriado.
Conforme o cisto enche com fluido sinovial ele aumenta de volume e fica aparente com o aspecto de um nódulo. Apesar de serem relativamente freqüentes e crescerem rapidamente eles não se espalham e não se comportam como câncer e não são destrutivos localmente. Podem inclusive desaparecer espontaneamente em alguns casos.

SINTOMAS:

Muitas vezes os cistos sinoviais são dolorosos, especialmente quando está se formando. As dores e o volume do cisto podem aumentar quando há maior uso da mão. Movimentos de preensão e flexão-extensão do punho provocam piora da dor.
Os cistos podem surgir em qualquer lugar da mão, mas costumam aparecer na região dorsal ou palmar do punho e na face palmar da base dos dedos.

DIAGNÓSTICO:

O diagnóstico é feito pelo exame médico especializado e usualmente é confirmado através de ultra-sonografia da região afetada.
Nos cistos assintomáticos a simples observação, sem nenhum tratamento adicional costuma ser a primeira opção de tratamento.

TRATAMENTO:


Nos casos dolorosos, pode-se tentar a aspiração do fluido sinovial e a injeção de corticóides localmente. Este tratamento provoca melhora transitório da maioria dos pacientes, mas há chance elevada de recidiva do cisto em poucos meses.
Nos casos claramente sintomáticos o tratamento de escolha é a remoção cirúrgica do cisto. Neste caso, além de ressecar o cisto deve-se retirar a origem do tecido que produz o líquido sinovial, o qual é identificado durante a cirurgia através do pedículo que conecta a bolsa sinovial e a área articular de onde é produzido o fluido.
A cirurgia pode ser feita por via aberta ou artroscópica, de acordo com a preferência do cirurgião.

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A mão reumatóide é uma doença que deforma e incapacita as mãos do indivíduo que dela padece. À falta de outro meio eficaz, a cirurgia é, mui...

A mão reumatóide

A mão reumatóide é uma doença que deforma e incapacita as mãos do indivíduo que dela padece. À falta de outro meio eficaz, a cirurgia é, muitas vezes, a única solução. Mas há que distinguir duas formas de cirurgia: a preventiva precoce, que permite controlar a evolução da doença; e a cirurgia reconstrutiva ou paliativa, que é utilizada em casos graves e entendida como último recurso de tratamento.

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A mão reumatóide consiste numa deformação lenta e progressiva que afecta os tecidos moles, causando rigidez das articulações e falta de força. O avanço da doença traduz-se num processo gradual. Dessa forma, o indivíduo vai introduzindo na sua vivência diária novos hábitos que lhe permitem adaptar-se às limitações que possui. Só que, por vezes, numa fase em que o paciente já se encontra bastante incapacitado, a cirurgia reconstrutiva ou paliativa é a única solução. Por outro lado, a cirurgia preventiva ajuda a suster a evolução da doença.

Nas palavras do Dr. João Mota da Costa, assistente hospitalar de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética da Unidade de Artroscopia do Hospital de S. Louis e cirurgião plástico do Hospital de Santa Maria, «esta doença dos tecidos moles é uma sinovite, não só das articulações, mas também da sinóvia dos tendões, que provoca a deformação tão característica com tumefacção das áreas atingidas, e quando falamos de cirurgia preventiva na mão reumatóide pensamos essencialmente na excisão da sinóvias (sinovectomia) das articulações e tendões.»

A sinovite é uma inflamação na membrana sinovial. Esta membrana segrega a sinóvia – líquido que lubrifica as articulações – e reveste as cavidades articulares, interpondo-se entre dois ossos.

Manifestações da doença reumatismal

A sinovite da articulação com inflamação crónica tem várias consequências. Segundo João Mota da Costa, «leva progressivamente à destruição dos ligamentos, ocasionando luxação articular com grande instabilidade. A disfunção existente na instabilidade articular é tão grande como a provocada pela destruição articular na sinovite articular. A acção contínua da sinovite leva à perda da superfície articular, resultando em instabilidade ou, mais raramente, em falta de mobilidade dessa articulação».

A intervenção cirúrgica é indicada, neste caso, como forma de prevenir o agravamento da doença. «A sinovectomia precoce pode prevenir completa ou parcialmente este processo, aliviando simultaneamente a dor e corrigindo a tumefacção, evitando-se assim um tipo de cirurgia mais radical», salienta João Mota da Costa. As manifestações da doença reumatismal não se limitam às articulações. A sinovia dos tendões flexores e extensores pode também ser afectada. Como explica o cirurgião plástico, «a proliferação de sinóvia pode ser enorme, provocando alterações intersticiais do tendão que podem levar à sua rotura, muito embora o problema das roturas tendinosas seja não só a sinovite erosiva como também um problema de obstrução mecânica».

A sinovite dos flexores, diz o especialista, «pode manifestar-se com dedo em gatilho ou como síndroma do canal cárpico. Na maioria das situações, o dedo em gatilho é uma expressão de lesão muito maior do que um simples nódulo no tendão, requerendo tratamento. A tumefacção e proliferação sinovial ao nível do canal cárpico causa dor, fraqueza da pinça entre o primeiro e o segundo dedo, limitação na flexão e extensão dos dedos e alteração de sensibilidade no território sensitivo do nervo mediano, com as características parestesias (parecem agulha a picar, dizem os doentes), requerendo descompressão do canal cárpico para melhoria da sintomatologia»

Afinal, que resultados podem ser obtidos numa sinovectomia radical dos tendões flexores na mão reumatóide? João Mota da Costa revela satisfação na aplicação desta cirurgia, porque se regista «alívio da dor, recuperação dos movimentos dos dedos e aumento de força», de modo que a sinovectomia radical «tem sido praticada precocemente de uma maneira regular. Se coexistir com as alterações tendinosas uma hipertrofia sinovial dolorosa das metacarpofalângicas ou interfalângicas, a sinovectomia articular poderá ser efectuada no mesmo ou num outro tempo operatório».

Os tendões extensores «estão envolvidos por tecido sinovial ao nível do dorso do punho, zona em que este ligamento forma túneis para os tendões deslizarem por cima da articulação do punho, em compartimentos estanques, que impedem os tendões de se dilatarem. A invasão dos tendões por tecido sinovial provoca alterações intersticiais com fraqueza do tendão e rotura».

O que fazer, então, no caso de se verificarem roturas tendinosas? A opinião deste médico especialista aponta para a correcção das roturas tendinosas através da transferência de tendões. «Nestes casos a recuperação funcional torna-se mais difícil, não só pela maior complexidade da cirurgia, como também pela imobilização pós-operatória durante cerca de quatro semanas, que a reconstrução tendinosa implica», adverte João Mota da Costa.

Cirurgia tardia

A cirurgia tardia é aplicada como técnica reconstrutiva ou, nos casos mais graves, paliativa, no sentido de mitigar o sofrimento do paciente.

Sendo assim, resta saber que tipo de cirurgia é aconselhável a cada situação. A articulação do punho «necessita de sinovectomia, frequentemente associada à excisão da cabeça do cúbito, com correcção cirúrgica das roturas tendinosas que eventualmente tenham ocorrido e nos casos mais graves a fusão do punho, bloqueando a sua mobilidade dolorosa ou a substituição da articulação por uma artificial através da colocação de uma prótese».

Nas articulações mais próximas dos dedos (metacarpofalângicas) «devem ser efectuadas as sinovectomias», enquanto que nos casos em que a destruição dessas articulações é muito grande «deve proceder-se à sua substituição (artroplastia), com próteses articulares para manter a mobilidade dos dedos e a correcção do desvio cubital dos dedos, conhecida como deformação em golpe de vento ou barbatana de baleia», explica João Mota da Costa.

Quanto à solução a aplicar às articulações interfalângicas, o especialista indica «as reconstruções tendinosas das deformações em botoeira e em colo de cisne», classificadas como «situações de difícil resolução, em que muitas vezes se tornam necessários enxertos do tendão. As artroplastias com próteses ao nível das interfalângicas proximais devem efectuar-se sempre que exista um adequado balanceamento tendinoso ou que este possa ser recriado». Para os casos mais graves, procede-se a «fusões articulares (artrodeses). Nas interfalângicas distais, quando afectadas, está apenas indicada uma artrodese em posição funcional, se houver grande deformação, instabilidade ou dor».

Sobre o polegar, diz ainda que «geralmente as três aplicações são afectadas, necessitando de correcção cirúrgica com artrodese ou artroplastias, com substituição articular por próteses especialmente concebidas para esse fim».

A substituição da articulação por uma prótese é benéfica para o paciente? Esta é uma questão sobre a qual o cirurgião plástico não tem dúvidas: «As próteses têm-se mostrado de grande utilidade na recuperação da mobilidade do punho e dedos, nomeadamente das articulações metacarpofalângicas e interfalângicas proximais, correcção da deformação e diminuição da dor.»

Recuperação lenta

Depois da operação, a reabilitação do doente é o passo seguinte. Neste tipo de cirurgias, João Mota da Costa explica que «a recuperação é geralmente lenta, sendo fundamental, para se atingir um bom resultado, um período de fisioterapia com um terapeuta experiente na recuperação da função da mão, que permita obter a maior amplitude de movimentos, de estabilidade articular e de força que a cirurgia veio proporcionar à mão operada».

Este especialista insiste na colaboração estreita entre os profissionais de saúde envolvidos no tratamento da doença reumatóide da mão: o reumatologista e o cirurgião da mão, «que devem colaborar desde cedo, dando ênfase ao tratamento preventivo precoce e não ao tratamento reconstrutivo tardio que, com toda a sua complexidade e dificuldade de recuperação funcional, que deve ser utilizado como recurso. A colaboração do terapeuta da mão vem completar este triângulo em volta da recuperação da função da mão dos doentes reumatológicos».

http://saude.sapo.pt/gkB5/109559.html (10-02-2006)

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INTRODUÇÃO: A artrodese é um procedimento cirúrgico que limita a mobilidade de uma parte da coluna. É uma fusão de vértebras deco...

Artrodese da Coluna Vertbral

INTRODUÇÃO:

A artrodese é um procedimento cirúrgico que limita a mobilidade de uma parte da coluna. É uma fusão de vértebras decorrente de alguns motivos como dor, deformidade, fratura ou tumores que acometem a coluna vertebral (GABRIEL, PETIT E CARRIL, 2001). Existem três procedimentos gerais que podem ser realizados nos problemas ósseos e articulares, são eles: osteotomia, artroplastia e artrodese (O´SULLIVAN, 2004). A artrodese é realizada geralmente através de materiais de osteossíntese (parafusos pediculares e cages), que variam conforme a qualidade do osso, via de acesso empregada (anterior, posterior ou póstero-lateral), ou a patologia da coluna que necessita cirurgia. Também depende do fator instabilidade do corpo vertebral e esta pode ser já existente, como no caso das Espondilolisteses seja ela de origem congênita, traumática ou degenerativa. Outras indicações da artrodese incluem a presença de lesão neurológica evolutiva e por dor intratável. Este procedimento consiste na colocação de implantes unindo as vértebras afetadas associado à colocação de enxerto ósseo, geralmente obtida do osso da bacia do paciente (GABRIEL, PETIT e CARRIL, 2001).
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Existem várias técnicas e várias abordagens para uma artrodese. Ela poderá ser realizada por uma incisão cirúrgica nas costas, abdômen ou até em ambas. Pode-se ou não utilizar implantes metálicos para ajudar na fixação. Em certos casos, pode-se lançar mão de recursos de cirurgia minimamente invasiva, ou outras técnicas alternativas. Como há várias opções possíveis, a decisão sobre a técnica específica a ser empregada em cada caso depende do estudo das particularidades de cada paciente e também das preferências e experiência do cirurgião. A recuperação de uma artrodese é lenta, pois a fusão óssea completa é um processo que leva meses para ocorrer, por isso, é bom ter em mente que os resultados positivos podem demorar para aparecer. É uma cirurgia que demanda entendimento e compromisso do médico, equipe interdisciplinar e do paciente com um longo processo de recuperação (O´SULLIVAN, 2004). O sucesso da cirurgia está condicionado à ocorrência de uma fusão óssea verdadeira nos meses que seguem ao procedimento, e os índices de fusão são menores nos fumantes, obesos, diabéticos, portadores de osteoporose e nos pacientes portadores de alguma doença grave, ou que já tenham feito radioterapia (GABRIEL, PETIT E CARRIL, 2001). 

COMPLICAÇÕES DURANTE A CIRURGIA

A lesão neurológica por ocasião da cirurgia permanece sendo a complicação mais devastadora. (CAMPBELL´S, 1997). Outros autores apontam maiores riscos pelo despertar do paciente entubado, da anestesia, o que poderia causar uma extubação acidental, pois qualquer movimento pode provocar um deslocamento da instrumentação espinhal (ENGLER, G.L.1989).

COMPLICAÇÕES APÓS A CIRURGIA

A atelectasia é uma causa comum de febre após a cirurgia, mudanças de decúbito, as manobras respiratórias e a tosse poderão contornar o problema. O uso de terapia por inalação, com respiração por pressão positiva intermitente poderá trazer benefícios aos pacientes. Atualmente é utilizada a espirometria incentivada (CAMPBELL´S, 1997).

COMPLICAÇÕES TARDIAS

As complicações tardias são as pseudartroses e a recidiva da deformidade. A pseudoartrose indica um fracasso da operação, quanto ao atendimento de suas finalidades. A recidiva da deformidade é comumente causada por uma ou mais pseudartroses, mas pode também ser causada pelo encurvamento da massa de fusão, fratura traumática da massa de fusão ou pela adição, à curva de uma ou mais vértebras adjacentes superiores ou inferiores à fusão, alongando a curva (O´SULLIVAN, 2004). Num estudo sobre fusões da coluna vertebral lombossacral realizada com 594 pacientes, Cleveland e Cols encontraram pseudoartrose em 119 pacientes, uma incidência de 20% (CAMPBELL´S, 1997).

TRATAMENTO APÓS ARTRODESE

O tratamento em geral vai depender de diversos fatores, como a escolha dos procedimentos pós-operatórios específicos, da intervenção cirúrgica realizada, da extensão do envolvimento articular antes da cirurgia, das características individuais do paciente e das manifestações da doença (GABRIEL, PETIT E CARRIL, 2001). As opiniões variam quanto ao tratamento apropriado após fusão espinhal. Comumente o paciente é colocado em uma cama firme e colchão macio. O tempo de repouso ou de uso de dispositivos de sustentação externa como colares cervicais, coletes lombares etc, irão variar conforme o estado patológico, localização e extensão da fusão (CAMPBELL´S,1997). Outrora, acreditava-se que o paciente devia ser mantido em repouso absoluto na cama por pelo menos 6 semanas. Muitos outros autores permitiam a deambulação com uma sustentação leve, logo após a cirurgia. Para alguns casos em que se realizaria uma artrodese, hoje existe a alternativa da artroplastia de coluna, um tipo de cirurgia em que é feita a reconstrução das estruturas da coluna com materiais que permitem a manutenção do movimento (O´SULLIVAN, 2004). A artroplastia é um novo tipo de filosofia no tratamento cirúrgico das patologias da coluna, possibilitada pelo avanço tecnológico no desenvolvimento de materiais específicos. Antes dela, as cirurgias da coluna podiam ser classificadas em dois grandes grupos: a descompressão neural e a artrodese. O objetivo da cirurgia era liberar uma estrutura nervosa que estivesse apertada, como nos casos de hérnia de disco ou estenose espinhal. Na artrodese de coluna é realizada uma fixação das estruturas, com objetivo de trazer a anatomia da coluna próximo do normal, mas isso é feito à custa da perda da mobilidade de um ou mais segmentos, reduzindo o movimento e originando conseqüências mecânicas no processo de desgaste espinhal. Diferente das artrodeses, a artroplastia não implica na perda do movimento, permitindo uma menor limitação pós-operatória e um maior retardo no processo degenerativo (GABRIEL, PETIT E CARRIL, 2001). 
 
TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO

A fisioterapia está recomendada no pós-operatório das artrodeses para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e seus objetivos primários são restaurar a função e diminuir dor. O pós-operatório imediato e o tratamento de reabilitação são modelados por uma variedade de fatores, que incluem o tipo de prótese assim como a técnica e o acesso cirúrgico (O´SULLIVAN, 2004). O tratamento inicial inclui exercícios terapêuticos, transferências e treino de marcha, ainda instruções sobre as atividades de vida diária. (GANZ & VIELLION, 1996). A fisioterapia é de extrema importância, pois o paciente necessitará ser instruído quanto aos procedimentos e meios de prevenir ou proteger o local da fixação. Entre os procedimentos que a fisioterapia pode realizar encontra-se: exercícios de conscientização da postura correta, alongamentos ativos e passivos, reeducação postural, prevenção de novas deformidades, fortalecimentos a tomada de consciência do corpo e imagem corporal e conservar a flexibilidade da coluna (GRIEVE, 1994; BASMAJIAN,1987).

CONCLUSÃO


 Conforme vimos, conclui-se que a cirurgia da coluna é um procedimento extremamente delicado seja qual for à técnica utilizada e a sua recuperação é lenta. O sucesso da cirurgia depende de vários fatores e está condicionado à ocorrência de uma fusão óssea que leva meses para acontecer. Além disso, existem várias complicações que podem ocorrer durante ou após a cirurgia. A fisioterapia, tem papel importante no pós- operatório imediato e tardio, proporcionando uma recuperação mais rápida e eficaz ao paciente, evitando recidivas e melhorando a qualidade de vida do mesmo.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
 
Basmajian, John V. Terapêutica por Exercícios, Terceira edição, Editora Manole, São Paulo, 1987.
 
Campbell, Willis C, M.D. Cirurgia Ortopédica de Campbell. Volume V, Editora Manole. São Paulo, 1997.
 
Engler GL. Preoperative and intraoperative considerations in adolescent idiopathic scoliosis, AAOS Inst Couse Lect 38:137, 1989
 
Gabriel, Maria R. Serra; Petit, J. Diaz; Carril, Mª L. de Sande. Fisioterapia em Traumatologia, Ortopedia e Reumatologia, Rio de Janeiro: Revinter, 2001
 
Ganz, SB,and Viellion, G: Pré-and post-surgical management of the hip and Knee. I Wegener, ST, et al (eds): Clinical Care inthe Rheumatic Disease. American College of Rheumatology, Atlanta, 1996, pg103.
 
Grieve, Gregory P.: Moderna Terapia Manual da Coluna Vertebral, São Paulo, Editora Panamericana, 1994.
 
O´Sullivan, Susan B.II,Schmitz, Thomas J. (editores): Tradução de Fernando Augusto Lopes, Lilia Breternitz Ribeiro. 2º edição. Barueri- SP: Manole, 2004.


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A artrose é um processo inflamatório e  degenerativo que acomete a coluna em suas diferentes articulações; temos a discartrose, a a...

Artrose e coluna vertebral

A artrose é um processo inflamatório e  degenerativo que acomete a coluna em suas diferentes articulações; temos a discartrose, a artrose interfacetária e a uncoartrose.

Quadro Clínico
O quadro clínico é variável, na dependência da localização e do grau das alterações. Há pacientes com processo artrósicos comprovados radiologicamente, completamente assintomáticos. Outros apresentam dor regional com irritação nervosa com ou sem irradiação à distância, temos formas até como verdadeiras radiculites por compressão da raiz por osteofitos, o que pode ser facilitado por pinçamento discal e diminuição da altura do forâmen de conjugação.


Estas radiculopatias  podem em nada diferir das resultantes de hérnia discal, mas geralmente são mais insidiosas, repetitivas, menos dolorosas e mais duradouras e relacionadas a esforços mínimos ou alterações  da  postura.
Na presença de artrose pode-se ter também a síndrome do canal estreito, que nos processos degenerativos, sobretudo por artrose interfacetárias, pode apresentar-se com claudicação intermitente dos membros inferiores.
O diagnóstico clínico é feito pela característica mecânica da dor, sua localização, idade, postura e tipo de trabalho do paciente, e pelo conhecimento de processos patológicos anteriores. A artrose é a causa mais comum das chamadas síndromes facetarias, que se apresentam como lombalgia com irradiação atípica, habitualmente para a crista ilíaca, trocanter maior e região inguinal, do tipo mecânico, acentuando-se aos movimentos, sobretudo a rotação e extensão.
A discartrose também pode ser dolorosa, sendo dor do tipo mecânica, que se acentua com a flexão da coluna.
Meios de Diagnóstico

A confirmação do diagnóstico de artrose é feita por um Rx simples da região geralmente de frente, de perfil e oblíquas permitem adequada avaliação das articulações, denunciando a presença de pinçamento articular, esclerose  subcondral  e  osteofito.
A Tomografia é mais usada para a avaliação das estruturas óssea, da estrutura discal e das raízes e é excelente para a medida do canal medular que deve ter no mínimo 13mm.
A Ressonância além da vantagem da Tomografia, apesar de menos adequada para partes ósseas, permite a detecção precoce da degeneração discal e visão de conjunto.
A Mielografia pode ser útil na individualização dos conflitos realmente existentes na coluna, cujos exames anteriores podem mostrar acometimentos anatômicos em vários níveis, sem diferenciar quais os que estão envolvidos no conflito radicular. Estes três últimos exames não devem ser solicitados rotineiramente, sendo reservados aos casos, de dúvida diagnóstica, de má resposta ao tratamento ou quando se preconiza intervenção cirúrgica.

Tratamento

O tratamento é geralmente conservador, com repouso e antiinflamatório na fase aguda e orientação postural e das atividades diárias posteriormente. O exercício dirigido ao reforço de certos grupos musculares, a fisioterapia  e a utilização de colares, coletes e cintas na fase aguda e posteriormente para as atividades de maior risco, podem ser de grande utilidade. Infiltrações peridural, intratecal e  interfacetária são utilizadas na fase aguda em alguns centros.  Nos casos resistentes ao tratamento clínico estão indicadas cirurgias, que compreendem a laminectomia, facetectomia e artrodese.

Dr. Moacyr Battistetti
Ortopedia e Traumatologia
CRM 1900  /  SBOT 01589

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